sexta-feira, 17 de outubro de 2014

CONTAÇÃO DE HISTÓRIA 5ª PARTE- CARACTERÍSTICAS DE UMA BOA OBRA PARA CRIANÇAS

Características de uma boa obra para crianças

Imaginação: a criança é levada a desconfiar dos livros, que lhe vêm tolher o melhor dos bens: a liberdade. Tudo que na infância, impede o movimento é feito contra a natureza e suportado a contragosto. O próprio adulto sente-se atraído pelaf antasia, e na verdade nunca a deixa completamente, ao tornar-se “ gente grande”.
Dramatismo e a movimentação: a criança , irrequieta por natureza, incapaz de uma atenção demorada, irá interessar-se naturalmente pelos livros onde a todo momento apareçam fatos novos e interessantes, ou até mesmo recursos e situação imprevistas. Como diz Sara Bryant: Não se trata do que pensaram as pessoas, ou do que sentiram, mas do que fizeram. ( BRYANT, p. 23)
Desfecho feliz: requisito essencial, sobretudo para as crianças mais novas. Se o adulto é capaz de ler um livro ou ver um filme que acabe mal, sem deixar de apreciar o livro ou o filme , tal não se pode esperar da criança. Normalmente ela vive a história, e o final desagradável a feriria inutilmente.
Uma boa técnica de desenvolvimento: indispensável a obra. O autor terá mais sucesso se evitar descrições longas. Ela interrompe o desenvolvimento, é o que nos lembra Monteiro Lobato quando ressalta que as narrativas precisam correr a galope, sem nenhum efeito literário”. (A BARCA..., p. 22)
Qualidades da forma: deve ser igual a dos adultos, só que melhor. A criança percebe, ainda que confusamente, se a obra é boa ou bem escrita. É a mesma coisa que acontece com o adulto quando lê pela primeira vez um texto: fica-lhe uma boa impressão ou má. Usar da simplicidade mesclada com mistério é muito importante para a criança, inclusive histórias acumulativas, pois isso agrada muito a criança, principalmente a dramatização. France (1968) diz que, um erro em que caem frequentemente os que fazem literatura infantil é o tom moralizador, pois surge do alto e nobre intuito de educar, comum e indispensável aos educadores. É preciso levar em conta a psicologia da criança, com seus interesses próprios.
Para os adultos o que importa nos contos infantis é a finalidade. Mas para a criança a coisa é diferente, interessa-lhe menos a finalidade do que o caminho que à finalidade conduz. Se ela percebe desde logo que a leitura é apenas uma forma de educação, e portanto, mais um empecilho à sua liberdade, não há como lhe impedir a repugnância espontânea a essa nova limitação. (AMOROSO, 1968, p. 11) Mesmo ótimos escritores infantis incorreram nesse erro: tal é o caso de Carlo Collodi. Para ela não se quer dizer que o objetivo de educar deva estar ausente do livro: a questão toda se resume em como apresentar a “lição”. A moral que surge dos próprios acontecimentos da história e que a criança assimila espontaneamente, e até imperceptivelmente, a moral apenas sugerida, tem muito mais utilidade, porque consegue penetrar a criança.
Segundo Cunha (1968, p. 12), há obras não direcionadas para crianças que podem agradá-las. Por exemplo: Daniel Defoe, que não se dirigiu as crianças para escrever as “Aventuras de Robinson Crusoé”. Swift, do mesmo modo, visava os adultos, em crítica ferina, ao imaginar as viagens de Gulliver. No entanto, meninos e jovens do mundo inteiro os lêem. E também por outro lado, o bom livro feito para crianças tem o poder de agradar os adultos. Quem não se encanta lendo contos como Alice no País das Maravilhas, se emociona na história do Patinho Feio, se diverte com as façanhas de Emília ou com as aventuras de Tom Sawyer? Alguma coisa haverá de comum em todas estas obras. Feitas ou não para o público infantil, conseguem interessar a criança, porque há em todas elas as características que a infância exige, inconscientemente, ao adotar um livro de um determinado autor.

A obra adequada para cada fase
Segundo Dohme (2000, p. 26), “para orientar a escolha das histórias é importante saber exatamente os assuntos preferidos relacionados às faixas etárias.”
1,2 anos: Nessa idade a criança ainda não se prende a uma história. É o movimento, o tom de voz e o colorido das obras que irão despertar sua atenção. A leitura deve ser composta por frases soltas, curtas, com assuntos presentes na realidade da criança, utilizando palavras simples, próximas de seu vocabulário.
2,3 anos: As histórias devem continuar curtas, com poucos detalhes e personagens. A criança nessa idade vive a história como se fosse real. Tudo tem vida. Há interação com os personagens e os acontecimentos, com a tentativa de explicar e mostrar como são. Histórias de bichinhos, de brinquedos, animais com características humanas (falam, usam roupa, tem hábitos humanos), histórias cujos personagens são crianças.
3 a 5 anos: Pouco a pouco as histórias passam a ser mais elaboradas, com maior riqueza de vocabulário, embora simples e de fácil compreensão. A criança, nessa fase, ainda se assusta com facilidade, por não separar completamente realidade de fantasia. É preciso tomar cuidado com o tom de voz, os personagens malvados, fatos muito assustadores... Faz parte de seu desenvolvimento essa fase do medo e , conhecendo-a, não devemos utilizá-la como suporte para ensinamentos ou lições de moral. Também é comum a leitura visual das imagens, onde a criança cria sua história a partir da sequência presente no livro, sem se prender ao código escrito. Histórias com bastante fantasia, histórias com fatos inesperados e repetitivos, cujos personagens são crianças ou animais.
6,7 anos: É um momento novo. Às vezes com dificuldade, as crianças começam a ler, decifrando o código escrito e apropriando-se do texto. As histórias continuam curtas, com vocabulário simples e usual, contendo assuntos que façam parte do cotidiano das crianças, mesmo que subjetivamente. Aventuras no ambiente conhecido (a escola, o bairro, a família, etc.), histórias de fadas, fábulas.
8,9 anos: É a fase das histórias engraçadas, bem-humoradas. Os gibis são ótimos, pois aliam essa característica à questão estética de um texto leve, de fácil compreensão, rápido de ler e com personagens que fazem parte da realidade vivenciada de cada criança. Nessa idade, normalmente, as crianças já dominam a leitura e são capazes de fazerem interpretações.
9,10 anos: A partir dessa idade, a criança passa a interessar-se por textos mais longos, com histórias mais ricas e com maior número de personagens, diálogos e situações diversas. Os temas mais atraentes a essa fase são as aventuras, as ficções fantásticas e histórias reais.
11 anos em diante: O interesse vão crescendo dos fatos reais, polêmicos, à realidade social. Mas também há interesse nas grandes aventuras, nas invenções e histórias de futuro, de séculos posteriores e do fim do mundo.

Como a poesia é considerada
A poesia não é mais que uma brincadeira com as palavras. E nesta brincadeira, de acordo com José Paulo Paes, cada palavra pode e devesignificar mais de uma coisa ao mesmo tempo: isso aí é também isso ali.Toda poesia tem que ter uma surpresa. Se não tiver, não é poesia: é papo furado. (ABRAMOVICH, 1989, p. 67)
A poesia tem um papel indispensável no processo pedagógico. É um gênero quase natural para a infância. Ao contrário do que possamos imaginar, metáforas e estruturas heterodoxas não são difíceis para as crianças. O que são poemas, afinal, senão brincadeiras com palavras e sentidos? Muitos professores trabalham com a poesia infantil por ela ser geralmente curta e de fácil aplicação em sala de aula e, por apresentar estruturas que brincam com o ritmo e a musicalidade, torna-se muito atrativa às crianças, sendo uma categoria textual capaz de despertar leitores de qualquer faixa etária. Ela desperta a sensibilidade e os valores estéticos, aprimora as emoções e a sensibilidade, aguça sensações, etc. Brinca com múltiplos significados, materializa o prazer, torna acriança receptiva às manifestações de beleza. É comunicação, fonte de saber. É profundidade.
Abramovich (1989) ressalta que desde muito cedo, a criança já entra em contato com a linguagem poética, materializada através de diversas manifestações,como as cantigas de roda, trava-línguas, par lendas, adivinhas, etc. Muitas vezes, a criança já chega à escola com um riquíssimo repertório de linguagem poética. O uso que a escola fará desta bagagem que a criança traz consigo será determinante no processo de formação do leitor e de sua experiência com o texto poético.
”Nascida em fins do século XIX e expandindo-se nos primeiros anos doséculo XX, a poesia infantil brasileira surge comprometida com a tarefa educativa da escola, no sentido de contribuir para formar no aluno o futuro cidadão e o indivíduo de bons sentimentos. Daí a importância dos recitativos nas festividades patrióticas ou familiares, e a exemplaridade ou sentimentalidade que caracterizavam tal poesia. (COELHO, 2000, p.224)
As rimas
As rimas – um recurso poético – são tão gostosas de ler e ouvir quando bem escolhidas, bem trabalhadas!...Não podem é ser postas sem nenhum critério, pois há regras poéticas que as definem bem: podem vir intercaladas, rimando à primeira com a segunda linha, ou então de outro jeito, dependendo do tipo de versificação que cada poeta escolhe para cada poema que faz.

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