sexta-feira, 17 de outubro de 2014

CONTAÇÃO DE HISTÓRIA 2ª PARTE- A ORIGEM DA EDUCAÇÃO INFANTIL

A origem da literatura infantil

O homem começou a contar histórias desde que desenvolveu a capacidade da fala. Na antiguidade todos eram contadores, visto que além de servir para vencer o tédio, era uma forma muito efetiva de se reunirem. A arte evoluiu naturalmente, pois se alguns gostavam de contar histórias, outros preferiam apenas ouvi-las .
Com o tempo a história tornou-se narrativa envolvendo também mais pessoas e elementos. Os contadores então passaram a falar de heróis, lendas e mitos. Os egípcios foram os primeiros a fazer um registro escrito das suas histórias. Os romanos foram bons em espalhar os acontecimentos aos povos que dominavam, assim como os ciganos, cuja vida nômade lhes permitiu levar para muito longe suas lendas. A realeza contratava contadores de histórias ou trovadores que contavam lendas sobre escândalos da corte ou fatos heróicos acompanhados por instrumentos musicais. Os trovadores gradualmente passaram a serem acompanhados por pessoas que os ajudavam a fazer das histórias um meio de entretenimento. Passaram a ser sucedidos pelos menestréis os quais viajavam de vila em vila, ganhando a vida como contadores.
As histórias encontradas em livros, filmes, teatro e conversas informais, remetem o ouvinte a novas situações, o que faz despertar interesse e expectativa. As histórias carregam um conhecimento acumulado durante muito tempo pela humanidade, isso é transmitido através das ações das pessoas de qualquer lugar no mundo. Ela se torna foco das conversas sociais, ouvir uma história, contá-la e recontá-la é uma maneira de preservar os valores e a cultura da sociedade.
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O primeiro contato da criança com um texto geralmente é através das histórias contadas oralmente, sejam por seus familiares ou professores. Esse é o início da aprendizagem, compreensão e descobertas importantes na formação da criança.As histórias podem ser contadas durante o dia, numa tarde de chuva ou à noite, antes de dormir, preparando para o sono gostoso e reparador embalado por uma voz amada. É poder rir, sorrir, gargalhar com as situações vividas pelos personagens, com a idéia do conto ou com o jeito de escrever de um autor e , então, pode ser um pouco cúmplice desse momento de humor, de gozação. (ABRAMOVICH,1989, p.15)
O significado de escutar histórias é tão amplo, que é uma possibilidade de descobrir o mundo imenso dos conflitos, das dificuldades, dos impasses, das soluções, que todos atravessam e vivem de um jeito ou de outro, através dos problemas que vão sendo defrontados e enfrentados. Desenvolvem também todo o potencial crítico da criança, é poder pensar, duvidar, se perguntar, questionar e se sentir inquieto, cutucado, querendo saber mais e melhor ou percebendo que se pode mudar de idéia e ter vontade de reler ou deixar de lado uma vez. Sayão (2003) ressalta que, contar histórias é um ato de carinho por parte do adulto, que reconhece que a criança pode aprender muito, de modo lúdico e prazeroso, a respeito do mundo que a espera. Talvez seja isso que falte nos dias atuais, pois contar histórias une as pessoas, e hoje em dia com tanta tecnologia, as pessoas se afastam cada vez mais, deixando de lado esse recurso tão indispensável e importante em nossas vidas.
De acordo com COELHO (1999, p.47), “antes de narrar a história deve-se abrir espaço para uma boa conversa, por exemplo, se a história gira em torno de animais domésticos e começa-se diretamente, os ouvintes poderão interromper dizendo: eu também tenho um gato, um cachorro, um passarinho, o que for. ”Assim, segundo a autora, deve-se perguntar antes quem tem um gatinho, como se chama, a cor, de que se alimenta, as travessuras. Deixando as crianças falarem a vontade, um de cada vez; eles se sentem felizes e isso facilita a identificação e a integração. Há alguns conceitos tais como a representação, resumo, detalhes das características dos personagens, sentimentos, que não podem ser esclarecidos previamente para não antecipar fatos de enredo sobre o clímax. Durante a narrativa, da passagem, faz-se explicação, em tais casos.
Uma conversa informal estabelece, portanto, a empatia indispensável e ainda permite ao narrador conhecer melhor as crianças, além de dar-lhes oportunidade para falar. Deve-se mostrar prazer, sorrir enquanto conta-se a história. O sorriso ilumina o rosto do contador e se refletirá no rosto de cada criança. O contador se sentirá mais relaxado e deverá se sentir mais à vontade. As crianças irão sentir que ele gosta de contar-lhes histórias e irão ficar satisfeitas. Cabe ao professor selecionar os contos que serão trabalhados com seus alunos e saber qual o valor e o que irá contribuir no desenvolvimento da criança. É fascinante para o educador buscar caminhos propostos pelo pensamento e pela imaginação infantil, pois as crianças dessa fase são curiosas com bastante capacidade de aprendizagem e a vontade de obter mais conhecimento as levam a formular hipóteses, expandindo e interagindo com o mundo que as cercam e de surpreender-se diante da vida. Para que a criança possa explorar diferentes linguagens, é fundamental que se torne fonte de interesse permanente, de curiosidades, de espantos, de desejos e descobertas, obtendo uma construção social, ativa, criativa, participativa, produzindo e reproduzindo cultura. Para a contação é preciso ter envolvimento, didática e disposição. Fazer com que os ouvintes sintam-se parte daquilo que está sendo contado, sintam seus cheiros, sons, para isso é necessário saber como se faz. É a mais antiga e ao mesmo tempo a mais moderna forma de comunicação, e através dela, podemos preservar valores e a coesão de uma determinada comunidade.


A importância das histórias
De acordo com ABRAMOVICH (1989, p. 17), “é ouvindo histórias que se pode sentir (também) emoções importantes como: a tristeza, a raiva, a irritação, o medo, a alegria, o pavor, a impotência, a insegurança e tantas outras mais, e viver profundamente isso tudo que as narrativas provocam e suscitam em quem as ouve ou as lê, com toda a amplitude, significância e verdade que cada uma delas faz (ou não) brotar.”
Contar histórias é uma arte que preserva e transmite os valores culturais de uma comunidade. Exercem fascínio sobre as pessoas, uma vez que remete o ser humano a vivenciar o mundo imenso da fantasia e dos sentimentos. A literatura tem papel fundamental na formação do ser humano, na conscientização de valores e princípios. Sua importância no desenvolvimento da criança torna fundamental ao ato de contar histórias, sendo principalmente, um ato de carinho por parte do adulto, que reconhece que a criança pode aprender muito,de modo lúdico e prazeroso, a respeito do mundo que a espera.
Segundo PUIG (1998, p.69), “a criança quando ouve histórias, consegue perceber as diferenças que mostram os personagens bons e maus, feios e bonitos, poderosos e fracos, facilita à criança a compreensão de certos valores básicos da conduta humana ou do convívio social. Através deles a criança incorporará valores que desde sempre regem a vida humana. ”No ato da leitura quando a criança se identifica com heróis e heroínas, superam-se o medo que a inibi ajudando-a resolver situações envolvendo-a emocionalmente. Sem dúvida, ler para as crianças pode instruir tanto a mente quanto o coração. As crianças sentem necessidade de expressar-se e colocar para fora as fantasias de seu mundo interior, e através de histórias, desenvolvem a capacidade criadora (fantasia e imaginação), antecipa o futuro hábito de leitura e desperta a curiosidade pelo mundo em que vive (pessoas, animais e natureza).

Funções da literatura infantil
A literatura infantil inspira e quer influir em todos os aspectos da educação do aluno. Assim nas 3 áreas vitais do homem ( atividade, inteligência e afetividade), em que a educação deve promover mudanças de comportamento, a literatura infantil tem a sua função. A leitura rápida e compreensiva do texto é um automatismo a ser desenvolvido também pela literatura. A leitura reflexiva, a aprendizagem de termos e conceitos conseguem-se também pela leitura. As preferências, os ideais e as atitudes, como o gosto pela leitura, o amor às nossas coisas, são atingidos através da leitura.
As funções da literatura podem ser amplas. O modo mais comum de proporcionar seus objetivos se faz tratando-se de suas 3 finalidades mais abrangentes: educar, instruir e distrair. A mais importante é a terceira. Deve ser a primeira preocupação do escritor infantil, pois o interesse pelo livro existirá a partir dela. O prazer deve envolver as ideias e os ideais que queremos transmitir à criança. Se não houver arte, que traz o prazer, a obra não será literária e sim didática. Se tiver que escolher entre um livro que apenas eduque ou instrua e outro que só divirta a criança, não hesite: fique como que a distrai. O instruir será muito valioso porque desperta na criança a curiosidade intelectual, e lhe proporcionará momentos agradáveis, o que já é uma grande conquista. Segundo LOBATO ( 1968 ), não é possível um homem ser perfeito, sem ter sido uma perfeita criança.Segundo ANTONIETA (1968), o objetivo da literatura infantil é desenvolver a sensibilidade e o senso crítico. Levar os alunos a julgar o que veem, leem e ouvem é um dos maiores benefícios que a professora pode fazer as suas crianças.

Um pouco mais da história da literatura infantil
A Literatura não é como tantos supõem, um passatempo. É uma nutrição. (Meireles, 1984, p. 32)
A literatura infantil divide-se em dois momentos: a escrita e a lendária. A lendária nasceu da necessidade que tinham as mães de se comunicar com seus filhos, de contar coisas que os rodeavam, sendo estas apenas contadas, não sendo registradas por escrito. Os primeiros livros infantis surgiram no século XVII, quando da escrita das histórias contadas oralmente. Foram obras de fundo satírico, concebidas por intelectuais que lutavam contra a opressão para estigmatizar e condenar usos, costumes e personagens que oprimiam o povo. Os autores, para não serem atingidos pela força do despotismo, foram obrigados a esconder suas intenções sob um manto fantasioso. Cademartori (1994) ressalta que o início da literatura infantil pode ser marcado com Perrault, entre os anos de 1628 e 1703, com os livros "Mãe Gansa","O Barba Azul", "Cinderela", "A Gata Borralheira", "O Gato de Botas" e outros.
Depois disso, apareceram os seguintes escritores: Andersen, Collodi, Irmãos Grimm,Lewis Carrol, Bush. No Brasil, a literatura infantil pode ser marcada com o livro de Andersen "O Patinho Feio", no século XX. Surgiu Monteiro Lobato, com seu primeiro livro "Narizinho Arrebitado" e, mais adiante, muitos outros que até hoje cativam milhares de crianças, despertando o gosto e o prazer de ler. O século XIX, no Brasil, oferece já um panorama variado de leituras infantis. Mas o mesmo não se pode dizer dos séculos anteriores. A simples instrução dos tempos coloniais era impedimento natural ao uso de livros, principalmente dessa espécie. Pelo menos do seu uso generalizado. A leitura não era uma conquista popular.

Monteiro Lobato
Foi um dos mais influentes escritores brasileiros do século XX. É conhecido pelo conjunto educativo de sua obra de livros infantis, que constitui aproximadamente a metade da sua produção literária. Dedicou-se a um estilo de escrita com linguagem simples onde realidade e fantasia estão lado a lado. Pode-se dizer que ele foi o precursor da literatura infantil no Brasil.
Suas personagens mais conhecidas são: Emília, uma boneca de pano com sentimento e idéias independentes; Visconde de Sabugosa, a sábia espiga de milho que tem atitudes de adulto; Pedrinho, personagem que o autor se identifica quando criança; Cuca, vilã que aterroriza a todos do sítio, Saci Pererê e outras personagens que fazem parte da inesquecível obra “O Sítio do Pica-Pau Amarelo”, que até hoje encanta muitas crianças e adultos. Escreveu inúmeras e incríveis obras infantis, entre elas: A Menina do Nariz Arrebitado, O Saci, Aventuras do Príncipe, Noivado de Narizinho, Reinações de Narizinho, As Caçadas de Pedrinho, Emília no País da Gramática, Memórias da Emília, entre outros.
De acordo com Wikipédia, a Literatura Infantil no Brasil iniciou-se na segunda metade do século XIX. As lendas eram recontadas por pessoas as quais conhecemos por contadores de histórias. Em 1921, iniciou-se a Literatura Infantil no Brasil com a história:“Narizinho Arrebitado”, publicação de Monteiro Lobato. Ele criou um universo para a criança enriquecida pelo folclore, buscou o nacionalismo na ação dos personagens que refletiam na brasilidade, na linguagem, comportamentos e na relação com a natureza. Um de seus personagens que representa o mesmo ideal dos contadores de história da antiguidade, por exemplo, Visconde de Sabugosa, que é o intelectual contador de histórias.
Com a valorização da criança surgem textos adaptados a elas, os livros adultos tomam forma de livros infantis. Começa-se a formação de pequenos leitores. Com isso, surge a necessidade de obras que despertassem o interesse das crianças, que lhe chamassem a atenção, na qual pudessem viajar e sonhar, baseadas no mundo do faz-de-conta. Além de chamar e despertar o interesse da criança através do imaginário, Lobato conscientiza com a sua literatura denunciadora, que envolve temas muito importantes e fatos políticos-econômicos-sociais. A sua principal obra, “O Sítio do Picapau Amarelo”, tem traços de um Lobato indignado com a exploração do Petróleo, logo depois surge o livro “O Poço doVisconde”, que conta a história da descoberta do Petróleo nas terras do Sítio (mundo fictício), que eram terras de sua família. Não podendo se expor, criou as personagens fantásticas, as quais dizem tudo o que ele pensa sobre a descoberta, entre elas Emília, a qual representa a sua voz.
A intenção de Lobato era valorizar o folclore nacional em suas obras, que levam os leitores a compreenderem um pouco mais da cultura brasileira. O tempero maior de tudo isso é introduzido com as dúvidas e maluquices de Emilia, a boneca de pano, que, após tomar uma pílula que a fazia falar, virou uma grande tagarela.
A Literatura Infantil recebe esta denominação quando incorpora o sonho e a magia nas obras, o que Lobato faz com grande competência. No século XIX, principalmente, houve a preocupação em apresentar aos jovens textos considerados adequados à sua educação – foi reelaborado o acervo popular europeu – neste período destacam-se as histórias dos Irmãos Grimm. Assim, a renovação chegou à Literatura Infantil, a qual incorporou um pensamento progressista.

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