Quem sou eu

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Olá, meu nome é Luciana Cardoso, moro em Viçosa, Alagoas. Sou professora do Ensino Fundamental I. No momento estou trabalhando na Escola Municipal Sítio Boa Vista . Sou casada tenho dois filhos Juninho e Guilherme, que são a minha motivação e inspiração para continuar nesta tarefa que tanto me realiza . É pensando neles que me vejo como mãe e formadora de cidadãos futuros e a cada dia me sinto mais forte para conseguir levar o encanto e o prazer que há na escola... Sou uma formadora , uma mãe, uma educadora realizada,feliz e que acredita em dias melhores.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

REUNIÃO DE PAIS E MESTRES

 
 O PRINCIPAL NA VIDA…

Conta a lenda que certa mulher pobre com uma criança no colo, passando diante de uma caverna escutou uma  voz misteriosa que lá dentro dizia: entre e apanhe tudo que você desejar, mas não se esqueça do principal. Lembre-se, porem, de uma coisa: depois que você sair a porta se fechara para sempre, portanto aproveite a oportunidade, mas não se esqueça do principal…  
 A mulher entrou na caverna e encontrou muitas riquezas. Fascinada pelo ouro e pelas jóias, pôs a criança no chão e começou a juntar, ansiosamente, tudo o que podia no seu avental. A voz misteriosa falou novamente.  
“Você só tem oito minutos.”  
Esgotados os oito minutos, a mulher carregada de ouro e pedras preciosas, correu para fora da caverna e a porta se fechou… Lembrou-se, então que a criança ficara lá e a porta estava fechada para sempre!!!
O mesmo acontece, às vezes, conosco.
Temos uns oitenta anos para viver neste mundo e somos advertidos: “Não se esqueça do Principal!…
E o principal são os valores:
Espirituais,
A oração,
A vigilância,
A família,
Os amigos,
a vida!…
Mas a ganância, a riqueza, os prazeres materiais os fascinam tanto que o principal vai ficando sempre de lado…
Assim, esgotamos o nosso tempo aqui e deixamos de lado o essencial:
“os tesouros da alma!”
Que jamais nos esqueçamos:
A vida, neste mundo, passa rápido e a morte chega de inesperado. E quando a porta desta vida se fechar para nós de nada valerão as lamentações. Portanto, que jamais esqueçamos do principal!
Se Deus criou as pessoas para amarmos e as coisas para usarmos, porque então amamos as coisas e usamos as pessoas?

REUNIÃO DE PAIS E MESTRES

ANTES QUE ELES CRESÇAM
Affonso Romano de Sant’Anna
    Há um período em que os pais vão ficando órfãos de seus próprios filhos.
É que as crianças crescem independentes de nós, como árvores tagarelas e pássaros estabanados.
Crescem sem pedir licença à vida.
Crescem com uma estridência alegre e, às vezes com alardeada arrogância.
Mas não crescem todos os dias, de igual maneira, crescem de repente.
Um dia sentam-se perto de você no terraço e dizem uma frase com tal maneira que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.
Onde é que andou crescendo aquela danadinha que você não percebeu?
Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços e o primeiro uniforme do maternal?
A criança está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil. E você está agora ali, na porta da discoteca, esperando que ela não apenas cresça, mas apareça…
Ali estão muitos pais ao volante, esperando que eles saiam esfuziantes e cabelos longos, soltos.
Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão nossos filhos com uniforme de sua geração.
Esses são os filhos que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos, das colheitas, das notícias, e da ditadura das horas.
E eles crescem meio amestrados, observando e aprendendo com nossos acertos e erros.
Principalmente com os erros que esperamos que não se repitam.
Há um período em que os pais vão ficando um pouco órfãos dos filhos.
Não mais os pegaremos nas portas das discotecas e das festas.
Passou o tempo do ballet, do inglês, da natação e do judô.
Saíram do banco de trás e passaram para o volante de suas próprias vidas. Deveríamos ter ido mais à cama deles ao anoitecer para ouvirmos sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância, e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio de adesivos, posters, agendas coloridas e discos ensurdecedores.
Não os levamos suficientemente ao Playcenter, ao shopping, não lhes demos suficientes hamburgueres e refrigerantes, não lhes compramos todos os sorvetes e roupas que gostaríamos de ter comprado.
Eles cresceram sem que esgotássemos neles todo o nosso afeto.
No princípio iam à casa de praia entre embrulhos, bolachas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscinas e amiguinhos.
Sim havia as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, os pedidos de chicletes e cantorias sem fim.
Depois chegou o tempo em que viajar com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a turma e os primeiros namorados.
Os pais ficaram exilados dos filhos. Tinham a solidão que sempre desejaram, mas, de repente, morriam de saudades daquelas “pestes”.
Chega o momento em que só nos resta ficar de longe torcendo e rezando muito para que eles acertem nas escolhas em busca da felicidade.
E que a conquistem do modo mais completo possível.
O jeito é esperar: qualquer hora podem nos dar netos.
O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco.
Por isso os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável carinho.
Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto.
Por isso é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que eles cresçam

REUNIÃO DE PAIS E MESTRES

A LIÇÃO DO MENDIGO



Um mendigo sentava-se na calçada, sempre num lugar onde passavam muitas pessoas; e ao lado, colocava uma placa com os dizeres:

“Vejam como sou feliz! Sou um homem próspero, sei que sou bonito, sou muito importante, tenho uma bela residência, vivo confortavelmente, sou um sucesso, sou saudável e bem-humorado”.

Algumas pessoas olhavam intrigadas, outras o achavam doido e outras até lhe davam dinheiro.

Todos os dias, antes de dormir, ele contava o dinheiro e notava que, a cada dia, a quantia era maior.

Numa bela manhã, um importante e arrojado executivo, que já o observava, há algum tempo, aproximou-se e disse-lhe:

- Você é muito criativo! Não gostaria de colaborar numa campanha da empresa?

- Vamos lá. Só tenho que ganhar!

Após um caprichado banho e com roupas novas, foi levado para a empresa. Daí em diante, sua vida foi uma sequência de sucessos e, em pouco tempo se tornou um dos sócios majoritários.

Numa entrevista coletiva à imprensa, ele esclareceu como conseguira sair da mendicância para tão alta posição:

- Bem, houve uma época em que eu costumava sentar-me nas calçadas com uma placa ao lado, que dizia:

“Sou um nada neste mundo! Ninguém me ajuda! Não tenho onde morar! Sou um homem fracassado e maltratado pela vida! Não consigo um mísero emprego que me renda alguns trocados! Mal consigo sobreviver!”

- As coisa iam de mal a pior quando, certa noite, achei um livro e nele atentei para um trecho que dizia:

“Tudo o que você fala a seu respeito vai-se reforçando. Por pior que esteja a sua vida, diga que tudo vai bem. Por mais que você não goste de sua aparência, afirme que é bonito. Por mais pobre que seja você, diga a si mesmo e aos outros que você é próspero.”

- Aquilo me tocou profundamente e, como nada tinha a perder, decidi trocar os dizeres da placa, e a partir desse dia, tudo começou a mudar; a vida me trouxe a pessoa certa para tudo de que eu precisava, até que cheguei onde estou hoje. Tive apenas que entender o Poder das Palavras. O Universo sempre Apoiará tudo o que Dissermos, Escrevermos ou Pensarmos a Nosso Respeito e isso acabará se manifestando em nossa vida como realidade. Ele Materializa em nossa vida Todas as nossas crenças, Positivas ou Negativas.

Uma repórter, ironicamente, questionou:

- O senhor está querendo dizer que algumas palavras escritas numa simples placa modificaram a sua vida?

O homem de bom humor respondeu:

- Claro que não, minha ingênua amiga! Primeiro eu tive que acreditar nelas!

“A cada degrau da vida, veja a beleza que ela lhe oferece.”

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

REUNIÃO DE PAIS E MESTRES

O NÓ: UMA HISTÓRIA DE GENTE MIÚDA


Era uma reunião numa escola. A diretora incentivava os pais a apoiarem as crianças, falando da necessidade da presença deles junto aos filhos. Mesmo sabendo que a maioria dos pais e das mães trabalhava fora, ela tinha convicção da necessidade de acharem tempo para seus filhos.

Foi então que um pai, com seu jeito simples, explicou que saía muito cedo e que, quando voltava, o pequeno, cansado, já adormecera. Explicou que não podia deixar de trabalhar tanto assim, pois estava cada vez mais difícil sustentar a família. E contou como isso o deixava angustiado, por praticamente só conviver com o filho nos fins de semana.

O pai, então, falou como tentava redimir-se indo beijar a criança todas as noites, quando chegava em casa. Contou que, a cada beijo, ele dava um pequeno nó no lençol, para que seu filho soubesse que ele estivera ali. Quando acordava, o menino sabia que seu pai o amava e lá estivera. E era o nó o meio de se ligarem um ao outro.

Aquela história emocionou a diretora da escola, que, surpresa, verificou ser aquele menino um dos melhores e mais ajustados alunos da classe. E se fez refletir sobre as infinitas maneiras que pais e filhos têm de se comunicarem, de se fazerem presentes nas vidas uns dos outros. O pai encontrou sua forma — simples, mas eficiente — de se fazer presente e, o mais importante, de seu filho acreditar na sua presença.

Para que a comunicação se instale, é preciso que os filhos “ouçam” o coração dos pais ou responsáveis, pois os ensinamentos falam mais alto do que as palavras. É por essa razão que um beijo, um abraço, um carinho, revestidos de puro afeto, curam até dor de cabeça, arranhão, ciúme do irmão, medo do escuro, etc.

Uma criança pode não entender certas palavras, mas sabe registrar e gravar um gesto de amor, mesmo que este seja um simples nó. E você? Tem dado um nó no lençol do seu filho?

REUNIÃO DE PAIS E MESTRES

As palavras rosa e as palavras cinza

Um dia, não se sabe muito bem por que isso aconteceu tão brutalmente, as palavras rosa desapareceram do planeta. As palavras rosa? São as palavras gentis, como “Obrigado”, “Primeiro você”, “Por favor”, “Você é muito importante para mim”, Palavras tão suaves que se parecem com fios de algodão-doce em nosso coração.

Será que isso era obra do Mágico Cinza, que só gostava de um tom malicioso, picante, amargo? Não! Eram os homens que preferiam, sem saber por que, as palavras picantes, amargas, maliciosas!

Nessa época, na Terra, havia lojas de palavras rosa e palavras cinza. Os comerciantes de palavras rosa vendiam “Eu te amo”, “Estou pensando em você”, “Muito obrigado”, “Por favor”, “Primeiro você”… Para os comerciantes de palavras cinza, as mercadorias eram: “Cocô de cabrito”, “Cara de rato morto”, “Goela fedida”…

No começo, compravam-se muito mais palavras rosa do que cinza. Os comerciantes de palavras rosa faziam bons negócios, e a Terra cheirava agradavelmente a algodão-doce. Os comerciantes de palavras cinza se entediavam, pois só eram procurados uma ou duas vezes por ano, só quando havia desentendimentos.

Apesar disso, um dia, curiosamente, os homens começaram a comprar palavras cinza. Havia uma crise de emprego e uma greve de coração. Os patrões compravam muito “Vá procurar outro canto, você está despedido, meu velho” e “Obrigado por tudo o que você fez, mas pode procurar a porta da rua”. Havia guerra entre famílias, divórcios, casais que não se entendiam mais. Ciúmes entre irmãos, bicos pendurados… Compravam-se “Não te amo mais”, “Está tudo acabado”. Nas lojas de palavras rosa, havia um encalhe de “Obrigado”, “Por favor”, “Eu te amo”…

— Que as palavras doces vão para o diabo — diziam os homens. — Elas custam caro e não rendem nada.

Os comerciantes de palavras rosa, desolados, não sabiam mais onde estocá-las.

As lojas rosa fecharam uma depois da outra. “Tudo deve desaparecer”, “Fechado por luto”, “Liquidação por atacado”, “Quinze palavras rosa pelo preço de uma”. Entretanto, mesmo a preço módico, elas não interessavam mais a ninguém. As lojas de palavras cinza, por sua vez, prosperavam, pois é bem sabido que as palavras feias são contagiosas. Diga uma no pátio do recreio e receberá dez em troca. Criam-se até mesmo lojas especializadas em palavrões, ditos indecorosos, insultos pesados. E os comerciantes cinza trabalhavam dia e noite para encontrar pérolas raras, as palavras mais horríveis e as mais ofensivas! “Hipopótamo de dentes negros”, “Você fede a bacalhau”, etc.

Com medo de não encontrá-las no mercado, o que acontece em tempo de guerra, as pessoas começaram a fazer conserva de palavras cinza. Foram congeladas às dúzias, empilhadas nos armários da cozinha, nas despensas, embaixo da cama.

E upa! Ao menor desentendimento, à menor das risadinhas, à menor discussão, as pessoas recorriam ao estoque: “Cale a boca!”, “Cara de sanfona”, “Galinha depenada”, “Fedor de peixe”, “Bafo de cebola”, “Cretino sinistro” e um montão de outras coisas.

Nos aniversários, aconteciam os maiores insultos. Cantava-se: “Nada pa-ra vo-cê, nessa data fe-di-da”, enquanto se lançava uma bomba de palavrões no meio da festa. Entre os adultos, para festejar o ano novo, brindava-se com suco de chinelo velho e com desprezo:

— Meu velho, desejo-lhe um ano podre. E uma saúde muito ruim.

Quando se abriam os presentes, era um concerto de gemidos:

— Nossa, que feio! Como você conseguiu tanto mau gosto assim? É o pior presente que se podia temer.

Antes das aulas, as crianças corriam para as lojas cinza para encher os bolsos com palavrões, pensando em gastá-los na hora do recreio. E, antes das férias, os adultos também iam lá para lotar suas malas com palavras cinza e risadinhas imbecis, para depois lançá-las pela janela do carro, nas estradas, entre os sanduíches e o café, durante os engarrafamentos: “Ei, cara de rato! Você tirou sua carteira de motorista por correspondência?”.

A atmosfera era glacial sobre a Terra. O Sol, que tem horror de falta de educação e de pauladas, agora se recusava a nascer. Ele se lembrava dos tempos em que todos o acolhiam de braços abertos:

— Oh, que dia bonito! Como isso é bom! Obrigado, meu bom Sol! Ó, meu Deus, como eu adoro o Sol!

No lugar disso, o que se ouvia então era:

— Ai, que calor… Está calor demais, ai como está quente.

Então, as nuvens invadiram o céu, e a Terra mergulhou num período glacial. Todo mundo sentiu frio: ninguém mais tirava a roupa, ninguém fazia carinhos, ninguém fazia mais bebês. Como a Terra era triste, sem flores e sem palavras rosa!

Apesar disso, em algum lugar, havia um garotinho que não queria se render às palavras cinza. Talvez fosse porque, em seu bolso e quase gelada, ainda subsistia uma palavra rosa. E o menino dizia: “Não quero saber desse mundo em que ninguém mais canta, em que ninguém mais diz ‘Bom-dia’ nem ‘Obrigado’ e em que faz frio. Vou me encontrar com o Sol”.

O garotinho andou muito tempo, escalou colinas geladas, pequenas e altas montanhas, vulcões extintos. Enfim, depois de meses e meses, exausto, gelado, esgotado, chegou perto das nuvens.

— Toc, toc — fez ele. — Estou procurando o Sol.

— Oh, oh — fez a chefe das nuvens, que havia tomado posse do céu cinza. — Vejamos quem está falando… Um homenzinho imundo e ridículo que está procurando o sinhô Sol? Mas o Sol não recebe mais ninguém! Desde que as palavras cinza tomaram o poder, somos nós, os cúmulos e os nimbus, que somos os chefes.

Ela inchou o peito e bateu-lhe a porta na cara.

O menino se sentou, atordoado. Como se defender? Ele não tinha sequer a sombra de uma palavra cinza no bolso. Então, começou a chorar. A nuvem o olhou, surpresa. Há muito tempo não via ninguém chorar! Naquele universo glacial, todos os olhos estavam gelados; e os corações, frios.

— Pare de chorar imediatamente — gemeu a nuvem. — Senão, farei cair uma chuva! — pois as nuvens choram facilmente.

Por fim, interiormente perturbada, ela decidiu ajudá-lo.

— Está bem, está bem — ela disse. — O cocozinho amarelo, lá longe, é o Sol.

O menino abriu os olhos e viu, de fato, uma bola de bilhar perdida na extensão azul do céu. Era o Sol, que estava desaparecido, de tanto receber maus-tratos.

No fim de suas forças, o garotinho foi até onde estava a bolinha amarela.

— Bom-dia — disse ao Sol. — Vim procurá-lo. Tudo ficou cinza sobre a Terra. Temos frio, sofremos. Nunca rimos, nunca dizemos palavras gentis. É preciso que você volte.

O Sol abriu um minúsculo olho.

— Não posso fazer isso. A falta de polidez e de civilidade me mata. Boa-noite, vou voltar a deitar.

— Não — suplicou o garoto. — Sem você, nós gelamos na Terra! Nossas casas são frias; e nosso coração, gelado. Volte, eu lhe peço, por favor!

E tirou do bolso sua palavrinha rosa bem gelada: “Nós amamos você”.

— Hummm — fez o Sol, enquanto suas bochechas ficavam um pouco rosadas. — Você diz isso para me agradar, não é mesmo?

— Não — suspirou o menino.

— Evidentemente — disse o Sol, dando de ombros. — Evidentemente! Como viver num mundo obscuro, em que todo mundo grita, vocifera? Em que ninguém fala “Obrigado”, “Por favor”, “É muito bom”, etc.? Fica inteirinho frio! Lembro-me de uma época em que havia palavras rosa em todos os cantos e luz em todos os corações. Ao segurar a porta, a gente dizia “Obrigado”, e não “Cocô de cabrito”. Ah! Bons tempos, aqueles!

O Sol e o menino se puseram a suspirar, pensando no “período rosa”.

— Você precisa voltar — insistiu o garoto.

— Vou fazer uma tentativa — resmungou o Sol. Mas, primeiro, jogue essas palavras rosa sobre a Terra. Assim, minha volta será mais agradável.

O Sol deu ao garoto um estoque de palavras rosa: “Por favor”, “É muito gentil”, “Amo muito você”, “Meu adorado”, “Amor da minha vida”, “Primeiro você”, etc. O menino as enfiou nos bolsos, na boca, no chapéu, no lenço, nas meias, em todos os cantos! Levou tantas quanto pôde carregar. Voltou à Terra e as distribuiu ao acaso. De repente, nos engarrafamentos, as pessoas começaram a abrir papeizinhos rosa: “Primeiro você, por favor”, “O dia está lindo, você não acha?”, “Pode passar, não estou com pressa”…

Nos recreios, começaram-se a ouvir novamente risos gentis, “Você é meu melhor amigo”, “Claro que você pode jogar conosco. Com muito prazer!”… Em casa, as crianças voltaram a falar palavras rosa: “Obrigado, mamãe”, “Por favor”, “Desculpe-me, eu não havia pensado nisso”… Durante as festas de aniversário, cantava-se alegremente e, no ano- -novo, faziam-se votos de saúde e felicidade.

O Sol voltou a brilhar e a se deitar em sua nuvem rosa todos os fins de tarde. E eu lhe garanto que os comerciantes de palavras rosa voltaram a fazer fortuna! Foram até mesmo criadas lojas especiais: de sorrisos, de suspiros de bem-estar, de cortesia, de civilidade. Isso tudo criou um efeito de algodão-doce no coração. Quanto às palavras cinza, diante de tanta felicidade, fugiram com suas patas cinza e peludas. E, quando uma delas tentava enfiar o nariz de volta, eu lhe garanto que não ficava muito tempo.

Gentileza e cortesia
“Diga ‘Bom-dia’ à senhora”, “Você não disse as palavras mágicas”, “Evite ser insolente”…

É tão frequente que as crianças se esqueçam de ser gentis… Será que é por timidez que ficam olhando para as pontas dos sapatos em vez de cumprimentar as pessoas? Apesar disso, a gentileza é o primeiro ato de civilidade, essencial para marcar o respeito devido ao outro. Segurando a porta, dizendo “Obrigado”, mostramos ao outro que ele existe.

Por isso não se pode deixar passar, ao contrário: deve-se sempre exercitar a gentileza. Mas de nada adianta empregar uma maneira coerciva ou obrigar a criança a ser gentil. É melhor agir por pequenos toques: “Acho que não deu para entender o que você disse”, “Você não se esqueceu de nada?”…

Não economize as felicitações caso ela se comporte bem (e é do que sempre nos esquecemos!).

Quanto aos palavrões, é muito simples: deve-se punir a criança com firmeza caso sejam pronunciados diante de um adulto. É inútil proibi-los, mas seu emprego deve ser limitado e reservado a ocasiões bem preciosas: entre amigos, no quarto, etc.

CARQUAIN, Sophie. Histórias para virar gente grande: para conversar com a criança sobre seus medos, preocupações e dúvidas. [tradução Nícia Adan Bonatti]. Campinas: Verus, 2010.

HIPERATIVIDADE II

O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e a função da escola
Maria Ione Alexandre Coutinho

Conhecendo o TDAH

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, também conhecido pela sigla TDAH, é um dos transtornos mais frequentes em crianças e adolescentes em idade escolar.

“O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, ou TDAH, é um transtorno de desenvolvimento do autocontrole que consiste em problemas com os períodos de atenção, com o controle de impulso e com o nível de atividade” (BARKLEY, 2002, p. 35).

O TDAH prejudica a criança no ambiente escolar, na convivência com sua família e em sua comunidade. A pessoa que apresenta esse transtorno geralmente tem graves problemas de relacionamento com professores, colegas e familiares, consequentemente o portador do TDAH se sente excluído e, na maioria das vezes, não entende o que está acontecendo.

Esse transtorno é, de acordo com Rohde e Benczik (1999), um problema de saúde mental que tem três características básicas: a desatenção, a agitação e a impulsividade. Esses sintomas trazem consigo uma grande interferência na vida das crianças e dos adolescentes e também das pessoas que convivem com eles, podendo causar dificuldades nos campos emocional, familiar e social e também um baixo desempenho escolar.

Índice de ocorrência do TDAH no Brasil e no mundo

• Ocorrência de 3% a 6% na população de crianças entre 7 e 14 anos.
• Possui índice maior em meninos, com quadro de agitação e impulsividade.
• Entre as meninas, na maioria das vezes, o quadro é de predomínio de desatenção.

Causas do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade


Apesar de já terem sido realizadas várias pesquisas para se descobrir as causas exatas desse transtorno, diversas teorias e explicações são confrontadas. Alguns estudos afirmam que o transtorno é de base orgânica, havendo uma desordem metabólica especificamente na área pré-frontal do cérebro, onde se encontra o principal regulador do comportamento do ser humano.

O que significa base orgânica? Significa que, nos portadores do TDAH, há uma estrutura cerebral que não “trabalha” como esperado. Essa estrutura é chamada de lobo pré-frontal — área do córtex cerebral localizada na parte da frente da cabeça, entre a testa e o meio do crânio. Essa área é formada por milhões de células cerebrais, chamadas neurônios. Quando o córtex pré-frontal tem seu funcionamento comprometido, a pessoa passa a enfrentar muitas dificuldades, entre elas problemas com concentração, memória, hiperatividade e impulsividade (Instituto Paulista de Déficit de Atenção – IPDA, 2011, p.1).

Causas hereditárias do TDAH (segundo Machado & Cezar, 2007)

•Histórico de pais hiperativos.
•Irmãos gêmeos.
•De 50% a 60% dos sintomas prevalecem na vida adulta por não haver uma cura efetiva.

Desenvolvimento anormal do cérebro, de acordo com Barkley (2002), causando o surgimento do transtorno

• Substâncias ingeridas na gravidez.
• Hereditariedade.
• Sofrimento fetal.
• Exposição a chumbo.

A evolução do transtorno da infância à fase adulta

Crianças antes dos 7 anos de idade.
Limite do início do transtorno por volta de 12 anos, na adolescência.

O desenvolvimento dos sintomas do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade tem uma evolução bastante variável, os sintomas podem começar na infância, persistir na adolescência e ainda continuar na vida adulta; no entanto, podem simplesmente desaparecer com a chegada da puberdade ou ainda desaparecer a hiperatividade e continuar o sintoma da desatenção.

Características do TDAH

O TDAH caracteriza-se por apresentar dois grupos de sintomas: (1) desatenção e (2) hiperatividade (agitação) e impulsividade.

Os seguintes sintomas fazem parte do grupo de desatenção:

• Não prestar atenção a detalhes ou cometer erros por descuido.
• Ter dificuldade para se concentrar em tarefas e/ou jogos.
• Não prestar atenção ao que lhe é dito (“estar no mundo da lua”).
• Ter dificuldade em seguir regras e instruções e/ou não terminar o que começa.
• Ser desorganizado com as tarefas e matérias.
• Evitar atividades que exijam um esforço mental continuado.
• Perder objetos importantes.
• Distrair-se facilmente com coisas que não têm nada a ver com o que está fazendo.
• Esquecer compromissos e tarefas.

Os seguintes sintomas fazem parte do grupo de hiperatividade/impulsividade:

• Ficar remexendo as mãos e/ou os pés quando sentado.
• Não parar sentado por muito tempo.
• Pular e correr excessivamente em situações inadequadas ou ter sensação de inquietude (“ter bicho-carpinteiro por dentro”).
• Ser muito barulhento enquanto joga ou se diverte.
• Ser muito agitado (“a mil por hora”, ou “um foguete”).
• Falar demais.
• Responder às perguntas antes de terem sido terminadas.
• Ter dificuldade de esperar a vez.
• Intrometer-se em conversas ou jogos dos outros.
(ROHDE e BENCZIK, 1999, p. 39-40).

Segundo o Manual de Diagnóstico e Estatística de Distúrbios Mentais (DSM IV), o transtorno subdivide-se em três tipos de padrão comportamental:

O desatento, em que prevalecem os sinais de desatenção apresentando seis ou mais sintomas do grupo a que pertence.

O hiperativo impulsivo, em que se apresentam seis ou mais características do grupo de hiperatividade/impulsividade.


O grupo combinado, em que se apresentam seis ou mais sintomas dos dois grupos acima mencionados.

OBSERVAÇÃO: é importante ressaltar que os sintomas devem estar presentes por mais de 6 meses e ao menos em dois locais diferentes para evitar que seja diagnosticado o TDAH indevidamente.

Diagnóstico

O diagnóstico do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade é complexo, tendo em vista que não existe exame específico. Por isso, é preciso estar cuidadoso, pois outras doenças psiquiátricas têm causas e características similares. O diagnóstico só deve ser realizado por médico ou psicólogo.

É evidente que a família e a escola por si só não podem diagnosticar uma criança que apresente características do TDAH como sendo portadora do problema, no entanto é de fundamental importância que ambas as partes fiquem atentas aos sintomas e observem se há necessidade de um acompanhamento de um profissional especialista nesse tipo de transtorno para identificar se a criança ou o adolescente é portador do TDAH.

Tratamento

O tratamento do TDAH pode se dar de várias formas, entretanto é importante a aceitação do problema tanto pelo portador quanto pela família, pelos professores e amigos, tendo em vista que a criança portadora do transtorno necessita de apoio constante. É indispensável que os pais interajam com professores e demais membros do grupo escolar sobre o diagnóstico do seu filho.

O tratamento do TDAH deve acontecer em conjunto, e é necessário que pais, profissionais da educação e da saúde estejam dispostos a ajudar da melhor forma o portador do TDAH.

O tratamento de crianças com TDAH supõe intervenção psicológica, pedagógica e médica, sendo essa a questão central para o psicopedagogo, além de técnicas de mudança de comportamento. Uma abordagem que envolva todas as áreas inclui: treinamento dos pais em controle do comportamento, um programa pedagógico adequado, aconselhamento individual e para a família (quando necessário) e medicamento (quando necessário) (MACHADO & CEZAR, 2007, p. 6).

Profissionais e tipos de tratamento

• Neurologista
• Psiquiatra
• Psicólogo
• Psicopedagogo
• Fonoaudiólogo
• Acompanhamento psicoterápico (comportamental-cognitivo).
• Intervenção psicopedagógica (problemas de aprendizagem).

Conhecimento dos educadores sobre o tratamento de TDAH

A indisciplina é um desafio encontrado geralmente por grande parte dos profissionais da educação, no entanto nem todos sabem gerenciá-la de maneira adequada para que não venha a prejudicar o andamento da aprendizagem. Saber lidar com determinadas situações rotineiras na escola pode ser fundamental para o sucesso escolar dos alunos assim como também o êxito profissional do educador.

Como o educador pode diferenciar um aluno indisciplinado de um portador do TDAH?

De acordo com Silva (2003), o DDA, que atualmente é denominado TDAH, é caracterizado por três sintomas: distração, impulsividade e hiperatividade, sendo as três características comuns na infância. Então, como distinguir uma criança portadora do distúrbio de uma não portadora?

Fatores que revelam indícios do TDAH

• Intensidade e frequência com que ocorrem os sintomas.
• Observação e comparação com outras crianças da mesma idade.
• Captação, nos relatos de pais, professores e pessoas que convivem com elas, de indícios que caracterizam o transtorno.

O TDAH infelizmente ainda é um transtorno desconhecido por muitos educadores, porém, como já foi visto, é bastante comum em alunos e adolescentes em idade escolar. Por esse motivo, ocorrem diagnósticos ou rotulações equivocadas.

Segundo Barkley (2002), o sucesso escolar de um portador de TDAH depende do professor, e não do programa escolar em que ele está inserido ou da localização da instituição de ensino ou ainda se a escola é pública ou privada, antes de tudo está o professor, a sua experiência sobre o TDAH e a boa vontade de entender a criança.

Os professores, geralmente, respondem aos problemas desafiadores exibidos pelas crianças com TDAH passando a ser mais controladores e autoritários com elas. Com o tempo, suas frustrações com tais crianças podem torná-los ainda mais negativos com suas interações. A insegurança na relação professor-criança afeta a adaptação da criança portadora de TDAH a longo prazo, mostrando que ela certamente pode piorar as suas já tão pobres conquistas sociais e acadêmicas, reduzindo sua motivação para aprender e praticar na escola e diminuindo sua autoestima. Isso tudo pode resultar em insucesso e abandono da escola (BARKLEY, 2002, p. 235).

É muito relevante o professor saber identificar o que são indícios de TDAH e o que pode ser considerado indisciplina, tendo conhecimento de como lidar em ambas as situações. Assim como também é muito importante o professor saber os limites e as possibilidades de um aluno que apresenta o TDAH, pois este não é incapaz, mas necessita de uma orientação mais específica.

Como já foi visto, o portador do TDAH tem inteligência em sua faixa normal, porém necessita de atenção especial e de pessoas devidamente capacitadas e informadas sobre o problema para orientá-lo e ajudá-lo, evitando rotulações indevidas e, consequentemente, fracasso na vida acadêmica e social.

A comunidade escolar mediante o aluno com TDAH

Uma criança ou um adolescente portador do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade necessita do apoio e acompanhamento de todos os agentes que fazem parte do processo de desenvolvimento da sua vida social e acadêmica. Tendo em vista essa necessidade, a comunidade escolar tem papel fundamental nesse processo. Dela, fazem parte os pais, professores e funcionários da escola, membros que, direta ou indiretamente, estão ligados ao processo de ensino.

É muito importante que a escola estabeleça um vínculo com a família, pois as crianças e os adolescentes portadores do TDAH representam um desafio tanto para os pais como para os educadores, que sentem dificuldades para lidar com essa situação.

As crianças com TDAH demonstram níveis de atenção inapropriados para a idade, são impulsivas, geralmente superativas e apresentam dificuldades para seguir regras e normas. Podem apresentar também problemas de conduta, agressividade, rendimento escolar pobre ou problemas de aprendizagem e dificuldades sociais, especialmente relacionadas com os amigos, e conflitos na família. Essas crianças apresentam também baixa tolerância à frustração, dificilmente aceitam um não. E, na maioria das vezes, têm uma percepção negativa de si mesmas, em razão das repetidas frustrações vividas. A autoestima dessas crianças geralmente é baixa (BENCZIK, 2000, p. 26).

Os pais dos alunos que apresentam o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, quando instruídos, podem colaborar efetivamente na educação escolar de seus filhos em conjunto com os demais membros da comunidade escolar, que, segundo Barkley (2002), não tem informações necessárias sobre o TDAH ou não está devidamente atualizada. É muito importante o apoio e o bom relacionamento da família com professores, diretores e demais funcionários da instituição de ensino.

O sucesso escolar dos alunos portadores de TDAH, requer uma série de intervenções das diversas pessoas envolvidas: professores, pais e profissionais da saúde; e ainda tratamento terapêutico e farmacêutico quando necessário. Porém algumas adaptações na estrutura do currículo da escola e no desenvolver das aulas podem também contribuir satisfatoriamente para um melhor desempenho do aluno portador do transtorno.

A prática docente dos profissionais da educação para com alunos portadores de TDAH

Diante do discurso atual, no qual se luta por uma educação inclusiva de qualidade em que sejam respeitadas as particularidades de cada indivíduo, é difícil aceitar que o aluno que apresenta o TDAH ainda seja, em alguns casos, discriminado dentro do âmbito educacional.

Para o acompanhamento, na escola, do aluno com TDAH, é necessário que o professor, além de pensar na organização da sala, na seleção de conteúdos e no uso de materiais, proporcione um ambiente acolhedor, no qual as relações afetivas aconteçam de maneira que todos construam vínculos de amizade e confiança. A aceitação do jeito de ser desses alunos poderá minimizar os conflitos vivenciados no cotidiano escolar (ANDRADE, 2006, p. 50).

Assim como o vínculo afetivo é fundamental no processo de ensino-aprendizagem em crianças que não apresentam nenhum transtorno, para o portador de TDAH a afetividade também é indispensável.

A criança ou o adolescente com TDAH, como já foi visto anteriormente, tem o emocional frágil e constantemente tem sua autoestima abalada, cabe ao professor, como agente facilitador da aquisição de conhecimentos no ambiente escolar, contornar essa situação, criando um relacionamento agradável com esse aluno e mediando a interação deste com os demais educandos da sala.

É importante que o professor, ao pensar na criação de novas metodologias e técnicas a serem utilizadas em sala de aula para o manejo do comportamento do aluno com TDAH, reflita e avalie os pontos fortes e as dificuldades presentes especificamente no aluno, pois cada indivíduo tem suas particularidades mesmo tendo TDAH. Tendo o professor o conhecimento necessário sobre as particularidades do aluno, provavelmente ele terá um melhor aproveitamento no atendimento aos seus déficits.

Traçando estratégias para trabalhar com alunos portadores do TDAH em sala de aula


Autores como Rohde e Benczik apontam em suas obras sugestões para os professores facilitarem e tornarem mais agradável o trabalho em sala de aula com alunos portadores do TDAH.

1) Sente-se com a criança ou o adolescente a sós e pergunte como ela(e) acha que aprende melhor. Frequentemente, ela(e) terá sugestões valiosas.

2) Lance mão de estratégias e recursos de ensino flexíveis até descobrir o estilo de aprendizado do aluno. Isso irá ajudá-lo a atingir um nível de desempenho escolar mais satisfatório.

3) Encoraje uma estrutura para autoinformação e monitoração. A cada semana, sente-se com a criança alguns minutos e dê-lhe um retorno sobre como ela está se saindo em sala de aula. Ouça a opinião dela sobre os progressos e as dificuldades. É necessário que ela seja um agente ativo do processo de aprendizagem.

4) Crie um caderno “casa-escola-casa”. Isso é fundamental para melhorar a comunicação entre os pais e você.

5) Assinale e elogie os sucessos da criança tanto quanto for possível. Ela já convive com tantos fracassos que precisa de toda estimulação positiva que puder obter.

6) Procure afixar as regras de funcionamento da escola na sala de aula, em lugar visível. As crianças sentem-se reasseguradas sabendo o que é esperado delas.

7) Lembre-se de que as regras e instruções devem ser breves e claras. Use uma linguagem adequada para o nível de desenvolvimento da criança. Evite sentenças muito compridas.

8) Sempre que possível, transforme as tarefas em jogos. A motivação para a aprendizagem certamente aumentará.

9) Em relação ao adolescente, estimule-o a tomar nota dos pontos mais importantes do conteúdo e do que estão pensando. Isso irá ajudá-lo a se organizar melhor.

10) Escrever à mão é difícil para muitas dessas crianças. Considere a possibilidade de uso de alternativas, como a digitação no computador.

11) Elimine ou reduza a frequência de testes cronometrados. Dificilmente, na vida real, a criança terá que tomar decisões tão rápidas. Esses testes apenas reforçam a impulsividade desses alunos.

12) Avalie mais pela qualidade e menos pela quantidade das tarefas executadas. O importante é que os conceitos estejam sendo aprendidos (ROHDE e BENCZIK, 1999, p. 85 e 86).


Segundo Espanha (2010), as possíveis consequências que o portador de TDAH pode apresentar no processo de aprendizagem são: no caso da matemática, dificuldades em memorizar regras, em resolver problemas, erro nos sinais devido à desatenção, dificuldade em geometria; em leitura, não tem muita fluência no ato de ler, dificuldade em interpretar textos, dificuldade na decodificação, entre outras; na escrita, as possíveis dificuldades estão ligadas ao planejamento motor, à organização das ideias, à gramática e à ortografia.

As intervenções realizadas pelos docentes em sala de aula, quando bem planejadas e em consonância com a realidade do educando, podem ter resultados fantásticos no controle do comportamento e no processo de ensino-aprendizagem.

Segundo Barkley (2002), as ferramentas que se mostram mais eficazes no controle do comportamento de crianças são as consequências positivas e negativas. Os professores podem fazer uso de respostas positivas quando o aluno seguir as instruções propostas, pode usar como incentivo elogios, privilégios especiais, um sorriso, um sinal com a cabeça ou um tapinha nas costas, no entanto apenas essas estratégias não são suficientes para controlar os problemas que o transtorno acarreta. Já as respostas negativas situam-se no ato de ignorar, reprimir, aplicar penalidades, sanções e suspensão escolar; em certos casos, faz-se necessário utilizar as respostas negativas, porém estas deverão ser usadas cuidadosa e criteriosamente.
Referências

ANDRADE, Maria da Conceição de O. A prática pedagógica de professores de alunos com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade. 2006. 121f. Dissertação (mestrado em Educação). Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Natal: 2006.

BARKLEY, Russel A. Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH): guia completo para pais, professores e profissionais da saúde. Porto Alegre: Artmed, 2002.

BENCZIK, Edyleine Bellini P. Transtorno de Déficit de Atenção/
Hiperatividade: atualização diagnóstica e terapêutica. São Paulo:
Casa do Psicólogo, 2000.

IPDA Instituto Paulista de Déficit de Atenção. O que é TDAH. Disponível em http://www.dda-deficitdeatençao.com.br.> acesso em 08 de setembro de 2011.

MACHADO, Ligia de Fátima Jacomini & CEZAR, Marisa Jesus de Canini. Transtorno de Déficit de Atenção, e Hiperatividade (TDAH) em crianças – reflexões iniciais. Paraná: 2007.

ROHDE, Luís Augusto & BENCZIK Edyleine B. P. Atenção Hiperatividade. O que é? Como ajudar? Porto Alegre: Artmed, 1999.

SILVA, Ana Beatriz B. Mentes inquietas: entendendo melhor o mundo das pessoas distraídas, impulsivas e hiperativas. São Paulo: Gente, 2003.

HIPERATIVIDADE

TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO/HIPERATIVIDADE (TDAH)
Tania Zagury
Filósofa, Mestre em Educação e Escritora

Distúrbio que vem crescentemente preocupando pais e professores nas últimas décadas, o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) tem recebido diferentes denominações a partir, principalmente, de 1902: Disfunção Cerebral Mínima, Reação Hipercinética da Infância, Distúrbio de Déficit de Atenção, até a atual nomenclatura, utilizada no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, da Associação Americana de Psiquiatria.
O TDAH costuma aparecer bem cedo, ainda na primeira infância, em geral antes dos 7 anos. É um distúrbio crônico, e, para efeito de diagnóstico, as características que serão em seguida apresentadas precisam ser constantes na vida, e não aparecer como comportamentos ocasionais. Observações com esse propósito, portanto, devem ser feitas por um período nunca inferior a 6 meses, indo a até um ano aproximadamente.
Outro dado importante para efeito de diagnóstico é que o distúrbio revela-se independentemente do ambiente onde a criança esteja, assim como também não depende do tipo de tarefa. Não é um problema de inteligência, como muitos pensam, mas, sim, de execução. Explicando melhor: a criança pode até saber o que deve ser feito, mas parece não conseguir concretizar o objetivo ou pensar antes de agir.
Ainda não se sabe ao certo o que causa o problema, mas estudos recentes apontam para:
  • Hereditariedade (cinco vezes maior em quem tem pais com o transtorno).
  • Problemas durante a gravidez ou no parto.
  • Sofrimento fetal no nascimento.
  • Exposição a substâncias como chumbo e fumo, entre outras.
  • Problemas familiares (discórdia conjugal).
  • Baixa instrução paterna.
  • Funcionamento relacional caótico na família.
  • Presença de apenas um dos genitores.
  • A prevalência é de 3% a 6% em crianças entre 7 e 14 anos, com freqüência um pouco maior nas meninas. Na adolescência, são poucos os dados disponíveis.
    É freqüente a comorbidade, ou seja, em geral o problema se apresenta em conjunto com outros. Cerca de 50% das pessoas afetadas costumam apresentar também problemas de comportamento, como agressividade, tendência a mentir, roubo, oposição, desafio a regras.
    Estudos recentes comprovam que 70% das crianças com TDAH mantêm o diagnóstico aos 14 anos, e algumas, por toda a vida.
    De acordo com o desenvolvimento, os sintomas apresentam diferentes predominâncias. Nos pré-escolares, revelam-se mais como hiperatividade, dificuldades em aceitar limites e tolerar frustrações; na idade escolar, em geral apresenta sintomas combinados, enquanto, na adolescência, tende mais para a impulsividade e desatenção.
    Os manuais de psiquiatria apresentam comumente quatro variantes ou tipos: desatento, hiperativo-impulsivo, combinado e não-específico.
    A seguir, listamos os sintomas mais freqüentes em cada um dos quatro tipos. Conhecê-los é essencial para o diagnóstico e tratamento eficazes:
    1) Desatento

  • Não presta atenção a detalhes ou comete enganos por descuido.
  • Tem dificuldade de concentração em tarefas e/ou jogos.
  • Tem dificuldade de seguir instruções e/ou terminar tarefas.
  • É desorganizado nas tarefas e com os materiais.
  • Evita atividades que exijam esforço mental continuado.
  • Perde objetos necessários às atividades.
  • Distrai-se com facilidade.
  • Esquece tarefas e compromissos diários.
  • Parece não ouvir.
  • 2) Hiperativo-impulsivo

  • Inquieto (remexe pés e mãos quando sentado).
  • Não pára sentado muito tempo.
  • Pula, corre muito sem destino (“bicho-carpinteiro”). No adulto, manifesta-se por um sentimento geral de inquietação.
  • É muito barulhento.
  • É muito agitado.
  • Fala excessivamente.
  • Responde antes de se terminar de perguntar.
  • Tem dificuldade de esperar sua vez.
  • Intromete-se em conversas e jogos alheios.
  • 3) Combinado

  • Apresenta sintomas de ambos os conjuntos de critérios
  • (parece estar associado a maiores prejuízos globais na vida da criança).
  • 4) Não-específico

  • Características em número insuficiente para um diagnóstico completo.
  • Ainda assim, pode desequilibrar a rotina diária.
  • O diagnóstico do TDAH é complexo e delicado. É necessário considerar as múltiplas facetas do ser humano: intelectual, acadêmica, social e emocional. Outros problemas podem ter sintomas similares como, por exemplo, depressão, delinqüência e impulsividade.
    No intuito de evitar enganos — bastante freqüentes, aliás —, é fundamental considerar como mais importante o histórico clínico e do desenvolvimento. O exame médico é essencial ao diagnóstico diferencial. Também é imprescindível conjugar dados fornecidos pelos diversos adultos que convivem com a criança (professores, pais, parentes, amigos). A presença de, no mínimo, seis sintomas, de forma contínua, nunca ocasional, e pelo menos em dois ambientes diferentes freqüentados pela criança (escola e casa, por exemplo) permite evitar muitos problemas, porque elimina ou minimiza a rotulação inadvertida ou precipitada.
    De qualquer forma, o médico ou o psicólogo são os profissionais habilitados a fechar o diagnóstico, enquanto a ação de pais e professores deve se ater à observação sistemática e ao extremamente útil fornecimento de dados concretos àqueles profissionais. Como já dissemos, a observação deve ser feita por um período de, no mínimo, seis meses consecutivos. Fica o alerta, porém, de que a diferenciação é difícil e deve ser sempre cautelosa; confunde-se bastante, atualmente, a criança ativa, saudavelmente ativa, com a portadora do TDAH.
    Com relação ao tratamento, o grande progresso é o reconhecimento da necessidade da intervenção precoce, bem como a consciência de que, para o êxito, são necessárias intervenções múltiplas. Em outras palavras: tendo sido feito o diagnóstico, o tratamento deverá ser feito por uma equipe composta de vários profissionais e deve priorizar inicialmente o esclarecimento da família e dos docentes.
    O importante é que sejam feitas correções de conceitos e “rótulos”; quer dizer, é preciso que a família e os professores tenham consciência de que o problema é real, não se tratando de preguiça, falta de força de vontade ou de inteligência. Outro aspecto importante é que, através dos encontros e da troca de informações entre os diversos profissionais envolvidos no tratamento, os pais liberam suas dúvidas e angústias, tornando-se mais aptos a colaborar de forma proativa.
    Algumas atitudes são fundamentais e devem ser praticadas por pais e professores como ferramentas essenciais ao tratamento do transtorno.
    Orientação para pais
  • Estabeleça Prioridades.
  • Relacione as dificuldades e as hierarquize.
  • Ataque, primeiro a maior dificuldade.
  • Só depois de vencida a primeira, passe à outra.
  • Pense antes de agir.
  • Não tome atitudes de forma precipitada.
  • Relacione as alternativas de manejo.
  • Pense em cada uma delas e decida como agir.
  • Use o reforço positivo (recompensa) antes e preferencialmente à punição.
  • Ressalte os progressos e evite críticas constantes.
  • Tenha constância — os resultados só aparecem a médio e longo prazos.
  • Adote as mesmas atitudes em todos os ambientes que a criança freqüenta.
  • Todos os adultos que convivem com a criança devem procurar agir da mesma forma.
  • Comunique-se com clareza e de forma eficiente, isto é, dê instruções claras.
  • As ordens, as instruções e os pedidos devem ser feitos um a um.
  • Deixe os limites claramente definidos.
  • Propicie atividade física regular.
  • Prefira atividades que tenham regras e limites.
  • Escolha criteriosamente a escola, dando preferência àquelas que disponibilizam trabalhos específicos para crianças com TDAH.
  • Lembre-se de que o trabalho em equipe (pais/família/profissionais) é o que traz os melhores resultados.


  • Orientação para professores
  • Converse com a criança para saber de que forma ela sente que aprende melhor.
  • Alterne estratégias e recursos até ter certeza do estilo de aprendizagem do aluno.
  • Comece com atividades simples.
  • Encoraje-a com freqüência.
  • Coloque-a perto de você, na sala de aula.
  • A cada semana, converse, privadamente, com a criança, informando-a sobre como ela está se saindo.
  • Use sempre a agenda para comunicar-se com os pais e outros profissionais que lidam com a criança.
  • Assinale e elogie os progressos, por menores que sejam.
  • Prepare a criança para cada nova situação, pois ela é sensível e se assusta com facilidade.
  • Deixe as regras de funcionamento da classe em local bem visível.
  • As regras devem ser curtas e claras.
  • Sempre que puder, utilize jogos como forma de operacionalizar tarefas e objetivos.
  • Quando a motivação é maior, a concentração aumenta.
  • Reduza os testes cronometrados, que reforçam a impulsividade e ansiedade.
  • Avalie qualitativamente.
  • Essencial é que aprendam.
  • Abaixo, reproduzo um modelo de ficha, chamada SNAP-IV, construída a partir dos sintomas do Manual e Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – IV Edição (DSM-IV) da Associação Americana de Psiquiatria. O modelo pode ser usado para avaliar crianças e adolescentes. Sua tradução foi feita pelo Grupo de Estudos do Déficit de Atenção (Geda) da UFRJ e pelo Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência da UFRGS.
    Importante: Lembre-se de que o diagnóstico definitivo só pode ser fornecido por um profissional.

    FICHA DE ACOMPANHAMENTO PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES 
    Para cada item, escolha a coluna que melhor descreve o aluno. Marque um X:
     Nem um PoucoSó um poucoBastante
    1. Não consegue prestar muita atenção a detalhes ou comete erros por descuido nos trabalhos da escola ou nas tarefas.   
    2. Tem dificuldade de manter a atenção em tarefas ou atividades de lazer.    
    3. Parece não estar ouvindo quando se fala diretamente com ele(a).     
    4. Não segue instruções até o fim e não termina deveres de escola, tarefas ou obrigações.   
    5. Tem dificuldade para organizar tarefas e atividades.   
    6. Evita, não gosta ou se envolve contra a vontade em tarefas que exigem esforço mental prolongado.   
    7. Perde coisas necessárias para atividades (por exemplo: brinquedos, deveres da escola, lápis ou livros).   
    8. Distrai-se com estímulos externos.     
    9. Mostra-se esquecido(a) em atividades do dia-a-dia.     
    10. Mexe com as mãos ou os pés ou se remexe na cadeira.   
    11. Sai do lugar na sala de aula ou em outras situações em que se espera que fique sentado.   
    12. Corre de um lado para outro ou sobe demais nas coisas, em situações em que isso é inapropriado.   
    13. Tem dificuldade em brincar ou envolver-se em atividades de lazer de forma calma.   
    14. Não pára ou freqüentemente está a “mil por hora”.   
    15. Fala em excesso.   
    16. Responde às perguntas de forma precipitada antes delas terem sido terminadas.   
    17. Tem dificuldade de esperar sua vez.     
    18. Interrompe os outros ou se intromete (por exemplo: mete-se em conversas/jogos).   

    Como avaliar:

    1) Se existem pelo menos seis itens marcados como bastante oudemais de 1 a 9, existem mais sintomas de desatenção que o esperado numa criança ou num adolescente.

    2) Se existem pelo menos seis itens marcados como bastante oudemais de 10 a 18, existem mais sintomas de hiperatividade e impulsividade que o esperado numa criança ou num adolescente.

    O questionário SNAP-IV é útil para avaliar apenas o primeiro dos critérios (Critério A) para se fazer o diagnóstico. Existem outros critérios que também são necessários.
    Importante: Não se pode fazer o diagnóstico de TDAH apenas com o Critério A! Use também os demais critérios, abaixo relacionados.

    Critério A: Sintomas (vistos acima).
    Critério B: Alguns desses sintomas devem estar presentes antes dos sete anos de idade.
    Critério C: Existem problemas causados pelos sintomas acima em pelo menos dois contextos diferentes (por exemplo: na escola, no trabalho, na vida social e em casa).
    Critério D: Há problemas evidentes na vida escolar, social ou familiar por conta dos sintomas.
    Critério E: Se existe um outro problema (tal como depressão, deficiência mental, psicose, etc.), os sintomas não podem ser atribuídos exclusivamente ao TDAH.

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