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Olá, meu nome é Luciana Cardoso, moro em Viçosa, Alagoas. Sou professora do Ensino Fundamental I. No momento estou trabalhando na Escola Municipal Sítio Boa Vista . Sou casada tenho dois filhos Juninho e Guilherme, que são a minha motivação e inspiração para continuar nesta tarefa que tanto me realiza . É pensando neles que me vejo como mãe e formadora de cidadãos futuros e a cada dia me sinto mais forte para conseguir levar o encanto e o prazer que há na escola... Sou uma formadora , uma mãe, uma educadora realizada,feliz e que acredita em dias melhores.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

2º CAPÍTULO: FIM DA COLÔNIA E IMPÉRIO

Mestres quase nobres

Ana Ligia Scachetti (novaescola@fvc.org.br)

O ensino se torna estatal e os professores são muito cobrados, mas pouco recompensados



Os jesuítas lideraram as primeiras experiências de ensino no Brasil entre os séculos 16 e 18, mas foram expulsos de Portugal e da colônia em 1759. Responsável por essa determinação, Sebastião José de Carvalho e Melo (1699-1782), o marquês de Pombal, iniciou uma reforma da Educação com o objetivo de modernizar o reino de dom José I (1714-1777). Para substituir os padres, ele criou as aulas régias, mas os efeitos concretos só foram sentidos alguns anos depois. 


Em 1760, foi realizado o primeiro concurso para professores públicos (ou régios), em Recife (leia a linha do tempo na página seguinte), mas as nomeações demoraram e o início oficial das aulas só ocorreu em 1774, no Rio de Janeiro. Diante disso, quem tinha condições recorria a professores particulares. 



Depois que o ensino engrenou, a etapa inicial, chamada de "estudos menores", era formada pelas aulas de ler, escrever, contar e humanidades (gramática latina, grego etc.). Era a primeira vez que a Educação era responsabilidade estatal e objetivava ser laica, mas o catolicismo ainda continuava muito presente. Para se tornar professor, não havia uma formação específica. Por isso, eram selecionados os que tinham alguma instrução, muitas vezes padres.




Tereza Fachada Levy Cardoso, doutora em História e docente do Centro de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet), no Rio de Janeiro, conta que os professores ganhavam um título de nobreza, que dava direito a alguns benefícios, como a isenção de certos impostos. Mas a atividade era penosa e nem sempre compensadora. As aulas régias aconteciam na casa dos educadores, previamente liberadas pelos inspetores. Eram frequentes as solicitações por melhores salários, especialmente porque havia muita diferença entre o que era pago dependendo do nível em que o educador atuava. 


As orientações de Pombal valeram até a morte de dom José I, em 1777. Quando dona Maria I (1734-1816) assumiu o trono, demitiu o marquês. Apesar da mudança política, no início não houve uma ruptura no sistema de ensino. As aulas deixaram de ser denominadas régias e passaram a ser chamadas de públicas, mas só o nome mudou. 



Dona Maria I reinou até 1792, quando seu filho dom João VI (1767-1826) assumiu o poder. A vinda da família real para o Brasil, em 1808, impulsionou o desenvolvimento cultural. Logo surgiram a Imprensa Régia e alguns jornais impressos, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro e o Museu Real. Enquanto isso, as ideias que levariam à independência já se alastravam pelo país e ela se tornou real em 1822.

"A civilização é obra da escola e a escola é obra do professor. Se quereis elevar a escola e a civilização, começai por elevar o professor à altura da sua missão e lhe dar nas vantagens do seu ofício a coragem, o gosto, a energia e a força que ele demanda." 

Antônio de Almeida Oliveira


Mestres quase nobres

Ana Ligia Scachetti (novaescola@fvc.org.br)


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Diverso, mas semelhante 


A Constituição de 1824 estabeleceu que a Educação deveria ser gratuita para todos os cidadãos. Para cumprir essa determinação, deputados e senadores aprovaram uma lei em 15 de outubro de 1827 que marcou o Dia do Professor e indicou que fossem criadas escolas de primeiras letras em todas as cidades e vilas. Na prática, o ensino permaneceu sem mudanças estruturais até 1834. Nessa data, um ato adicional alterou a Constituição e deu poder para cada província, entre outros aspectos, definir as regras educacionais em seu território. "Elas começaram a criar escolas, mas as diretrizes educacionais eram muito semelhantes", afirma André Paulo Castanha, professor de História da Educação da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e pesquisador do período. "Os presidentes das províncias eram nomeados pelo imperador. Vários circularam por mais de uma região. Então, as medidas eram adotadas em um lugar e, depois, levadas para outros." 



Como parte do esforço de criar mais escolas, o Colégio Pedro II foi fundado em 1837, no Rio de Janeiro, para ser um modelo para o ensino secundário. E para quem iniciava os estudos havia as escolas de primeiras letras. Nelas, as aulas abordavam temas como a leitura, a escrita e as operações matemáticas e adotavam o método mútuo ou lancasteriano, criado na Inglaterra e muito usado por aqui na primeira metade do século 19. Diana Vidal, professora da Universidade de São Paulo (USP), lembra que ele foi inspirado no sistema fabril. Cada docente tinha vários monitores - estudantes mais experientes que instruíam os demais. "Uma única instituição poderia alfabetizar mil alunos ao mesmo tempo." Castanha enfatiza que esse método foi aplicado aqui porque era o que havia de mais moderno na Europa, mas não deu certo porque muitas famílias não viam a necessidade de colocar os filhos na escola. "A Inglaterra tinha uma população escolar considerável, mas no Brasil as turmas eram pequenas, e isso descaracterizava o método."

Linha do tempo 


1760 É realizado o primeiro concurso para professores públicos. 



1808 A vinda da família real para o Brasil incentiva a cultura no país. 



1822 Dom Pedro I (1798-1834) assume o trono após a independência. 



1834 As províncias passam a definir as regras educacionais. 



1889 A República é decretada e surge um novo modelo de escola. 



Fonte História da Educação


Exemplo de moral e bons costumes 


Quem desejava ser professor no período imperial tinha de atender a muitas exigências. Os conteúdos cobrados nos concursos públicos eram tantos que em alguns momentos foi difícil encontrar quem passasse nas provas. Diante disso, o Estado foi obrigado a aceitar docentes sem habilitação, que recebiam um salário menor. 



Apesar do rigor na seleção, as primeiras escolas normais voltadas à formação dos docentes surgiram a partir de 1835 (leia a questão de concurso abaixo). E apenas em 1860 as leis começaram a prever vantagens para quem passava por essas instituições. Mesmo assim, a formação em si não era o principal requisito. "O foco estava no caráter do professor. Ele tinha de ser um exemplo dos valores morais e religiosos e de respeito à ordem", avalia Castanha. 



Após passar pelo rigoroso processo de contratação, o educador poderia conquistar o direito vitalício ao cargo. Mas a remuneração era baixíssima e continuava sendo fonte de reclamação. No artigo Os Professores e Seu Papel na Sociedade Imperial, Castanha e Marisa Bittar, professora da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), resgatam uma análise de Antônio de Almeida Oliveira (1843-1887), que foi deputado federal e presidente da província de Santa Catarina, sobre a importância da valorização desse profissional (leia um trecho do documento na primeira página)



Na segunda metade do século 19, várias reformas tentaram dar um rumo mais profícuo para a Educação. Outros métodos foram utilizados, como o simultâneo, em que o professor se dirige a grupos de alunos reunidos pelo tema a ser estudado, e o intuitivo, que propunha o uso dos cinco sentidos para o aprendizado. A reforma instituída na corte em 1854 estabeleceu que aos 5 anos as crianças poderiam ingressar na escola, mas isso não era seguido. Como resultado, adolescentes de até 15 anos chegavam para as primeiras aulas e o docente tinha de lidar com isso. "Era comum que quando a criança aprendesse a ler e escrever os pais a tirassem da escola, porque, naquele contexto de um país ainda excessivamente agrário e escravocrata, a Educação não era uma necessidade de fato", completa o pesquisador. 



Mesmo com tantas iniciativas e várias mudanças, o desejo de ampliar o nível de instrução da população não foi bem-sucedido durante o Império. Maria Lúcia de Arruda Aranha apresenta no livro História da Educação (256 págs., Ed. Moderna, tel. 0800-7707-653, 65,90 reais) alguns indicadores desse fracasso: em 1867, só cerca de 10% da população em idade escolar estava matriculada e, em 1890, no início da República, a taxa de analfabetismo chegava a 67,2%. 



À época, o político e escritor Rui Barbosa (1849-1923) se debruçou sobre esses e outros números e produziu pareceres em que concluía que "somos um povo de analfabetos, e que a massa deles, se decresce, é numa proporção desesperadoramente lenta", como Najla Mehanna Mormul e Maria Cristina Gomes Machado apresentam no artigo Rui Barbosa e a Educação Brasileira - Os Pareceres de 1882. A avaliação negativa ocorreu no momento em que o país passava por grandes transformações, como a abolição da escravatura. O processo para a proclamação da República ganhava força e com ele chegaria a discussão de um modelo de escola mais parecido com o que existe atualmente, tema do próximo capítulo.

Questão de concurso

Prefeitura Municipal de São Mateus do Sul, PR, 2012. 

Prova para professor 



A respeito da história da organização da Educação brasileira é correto afirmar que: 



(A) As primeiras escolas de ler e escrever brasileiras foram criadas pelos missionários protestantes que chegaram ao Brasil; 



(B) O ensino jesuítico visou um ensino baseado em aulas régias; 



(C) No período imperial, são criadas as primeiras escolas normais para a formação de professores; 



(D) No período da ditadura militar, a política da Educação brasileira primava por um ensino libertador e crítico; 



(E) A LDB 9394/96 é a quinta LDB promulgada no Brasil. 



Resposta correta: C 



Comentário A primeira escola normal foi criada no Rio de Janeiro em 1835. Nela, um único professor atendia apenas alunos homens. Na década de 1870, havia instituições masculinas e femininas e nos anos seguintes elas se tornaram mistas. 

Consultoria André Paulo Castanha


    domingo, 21 de setembro de 2014

    HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO NO BRASIL / 1º CAPÍTULO: INÍCIO DA COLÔNIA

    1º CAPÍTULO: INÍCIO DA COLÔNIA

    De onde vem e para onde vai a escola brasileira

    Ana Ligia Scachetti (novaescola@fvc.org.br)




    Os padres começaram a catequizar os índios logo que desembarcaram no Brasil. Reprodução/Coleção José Mindlin
    Os padres começaram a catequizar os índios logo que desembarcaram no Brasil



    Desde que o ensino e a aprendizagem passaram a ser planejados e formalizados, eles sofreram muitas transformações. Nesta edição e nas próximas cinco, NOVA ESCOLA coloca foco na trajetória da Educação brasileira a partir da chegada dos portugueses. A revista publica uma série com as principais características de cada período, perguntas de concurso ligadas ao tema, a linha do tempo com os fatos marcantes de cada época e os pensadores que embasaram o ensino em mais de cinco séculos (confira a lista dos capítulos no quadro abaixo). "Devemos olhar para a história da Educação pelo tripé de quem faz (o homem), o contexto e o produto (o que foi feito), sempre com a perspectiva de entender o presente", ressalta Gisela Wajskop, diretora do Instituto Singularidades.


    Compreender a trajetória da Educação é uma parte essencial da formação dos docentes. Por isso, Dermeval Saviani, professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), sugere que essa área do conhecimento seja o eixo da organização dos conteúdos curriculares de Pedagogia. "De um curso assim estruturado se espera que forme pedagogos com uma aguda consciência da realidade em que vão atuar", diz.

    Apesar da grande importância, esse conhecimento não tem recebido a devida atenção. "Hoje temos uma memória do esquecimento e o que é velho não é considerado relevante", analisa Maria Helena Camara Bastos, professora da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). "Passo o semestre lembrando meus alunos que todos acham algo moderno usar jogos, mas Platão (427-347 a.C.) já propunha isso. É fundamental que todos conheçam a história e entendam que ela é feita por nós a cada dia. Caso contrário, nossa identidade não se constrói."

    Outro estudioso do assunto, Maurice Tardif, docente da Universidade de Montreal (UdeM), no Canadá, lembra que, ao chegar em uma escola, entramos em uma densa cultura educacional com mais de 2,5 mil anos de idade. As ideias e os valores que hoje permeiam o ensino vêm de tradições ocidentais. "Por exemplo, aprender a falar é um valor educativo sofista e socrático que apareceu na Grécia cinco séculos antes de Cristo", resume. Com tantos argumentos, você não precisa de mais motivos para começar a ler o primeiro capítulo da série, não é? Boa leitura!

    Ensino com catecismo

    Ana Ligia Scachetti (novaescola@fvc.org.br)





    As primeiras salas de aula em nossa terra foram criadas pelos jesuítas para evangelizar os índios




    Inicialmente, os curumins (filhos dos índios) e órfãos portugueses. Mais tarde, os filhos dos proprietários das fazendas de gado e dos engenhos de cana-de-açúcar e também dos escravos. Em todos os casos, apenas meninos. Esses foram os primeiros alunos da Educação formal (e letrada) brasileira. E os padres jesuítas, os primeiros professores. De 1549, quando o padre Manuel da Nóbrega (1517-1570) chegou ao nosso território na caravela do governador-geral Tomé de Sousa (1503-1579), até 1759, quando Sebastião José de Carvalho e Melo (1699-1782), o marquês de Pombal, expulsou a Companhia de Jesus, a catequização e o ensino se misturaram. 



    Franciscanos e outras ordens religiosas chegaram a realizar algumas tentativas pontuais de ensino, como lembra Dermeval Saviani em História das Ideias Pedagógicas no Brasil (498 págs., Ed. Autores Associados, tel. 19/3289-5930, 89 reais), mas foram os jesuítas que lograram a constituição de uma rede educacional. Os primeiros passos foram dados nas casas de bê-á-bá (ou confrarias de meninos). "Logo após o desembarque, os jesuítas iniciaram a conversão dos índios ao cristianismo ensinando os rudimentos do ler e escrever, numa concepção evangelizadora que se materializaria, depois, nos famosos catecismos bilíngues, em tupi e português", escrevem Amarilio Ferreira Jr. e Marisa Bittar, docentes da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), no artigo A Gênese das Instituições Escolares no Brasil



    O objetivo principal era catequizar - afinal, a Igreja Católica se sentia ameaçada pela Reforma Protestante -, mas para isso todos precisavam saber ler. "As letras e a doutrina estavam imbricadas na cultura europeia medieval vigente ainda nos séculos 16 e 17. E a gramática portuguesa também vinha carregada de orações e pensamentos religiosos", explica José Maria de Paiva, da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep). 



    Nas casas de bê-á-bá, moravam os padres e meninos órfãos trazidos de Portugal. Esses pequenos estudantes ajudavam a despertar a atenção das crianças indígenas. As aulas eram bilíngues (em português e tupi, considerada a língua predominante no litoral, onde a ocupação brasileira começou) e o ensino dos dogmas católicos era seguido de perto pela desvalorização dos mitos indígenas. Segundo relato do padre José de Anchieta (1534-1597) a Inácio de Loyola (1491-1556), fundador da Companhia de Jesus, os índios entregavam seus filhos "de boa vontade" para serem ensinados e, ao retornar para o convívio com seus pais, as crianças colaboravam para disseminar o ideário católico entre os adultos.




    Não havia uma formação específica para que um padre se tornasse professor. "Bastava saber ler e escrever, mas principalmente conhecer as Sagradas Escrituras, já que a escola era quase um sinônimo de sacristia e estudar significava se tornar um bom cristão", comenta Marisa. O método consistia em ouvir e repetir o que os sacerdotes ensinavam. "Quanto mais fiel aos ensinamentos, melhor", complementa Ferreira Jr. 


    Outro marco da didática da época era o uso do teatro e da poesia para ensinar. "Anchieta inspirou-se nos usos e costumes indígenas, utilizando-se das músicas, das danças e dos cantos usados em suas festas cerimoniais em seus autos. Para atingir os objetivos de catequizar e educar, os cânticos e as poesias eram traduzidos e adaptados", contam as pesquisadoras Yara Kassab, Inez Garbuio Peralta e Vera Cecília Machline no artigo O Lúdico Na Festa de São Lourenço de José de Anchieta. Nas cenas, os hábitos dos nativos eram adaptados para uma vida considerada mais cristã e costumes como a nudez e a bigamia eram criticados. "O jesuíta percebe que o teatro podia ser uma estratégia pedagógica promissora e um instrumento de comunicação com os índios para transmissão da doutrina católica, dos valores morais e culturais europeus ocidentais, bem como a propagação da Língua Portuguesa", completam. 



    Saviani lembra que Anchieta (leia a frase do padre abaixo) era um "hábil conhecedor de línguas". Além do espanhol, seu idioma nativo, ele sabia português e latim e, após sua chegada ao Brasil, aprendeu rapidamente a chamada "língua geral" dos indígenas. Foi responsável por elaborar uma gramática do tupi, que facilitou muito o trabalho de evangelização. 

    "(...) o principal cuidado que temos deles (os índios) está em lhes declararmos os rudimentos da fé, sem descuidar o ensino das letras; estimam-no tanto que, se não fosse esta atração, talvez nem os pudéssemos levar a mais nada."

    Centenas de regras documentadas 


    A atuação dos jesuítas no ensino não foi exclusividade do Brasil. Eles também abriram colégios na Europa, na Ásia e em outros países da América. Diante disso, a ordem quis regulamentar sua ação educativa e o fez com o Ratio Studiorum, promulgado em 1599, com mais de 400 regras (leia a pergunta de concurso sobre a atuação dos jesuítas abaixo). O documento reafirma pontos de estatutos anteriores e dá a dimensão da integração entre religião e Educação. 



    Um bom exemplo é a regra número 34, apresentada por Norberto Dallabrida, professor da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), no artigo Moldar a Alma Plástica da Juventude: a Ratio Studiorum e a Manufatura de Sujeitos Letrados e Católicos. Ela trata da seleção dos livros: "Tome todo o cuidado, e considere este ponto como da maior importância, que de modo algum se sirvam os nossos, nas aulas, de livros de poetas ou outros que possam ser prejudiciais à honestidade e aos bons costumes, enquanto não forem expurgados dos fatos e palavras inconvenientes; e se de todo não puderem ser expurgados (...) é preferível que não leiam para que a natureza do conteúdo não ofenda a pureza da alma". 



    Com as novas determinações e necessidades da Companhia, as casas de bê-á-bá foram dando lugar aos colégios, e a Educação passou a ser iniciada com conteúdos que hoje seriam equivalentes ao Ensino Médio. A alfabetização era necessária para acompanhar esses estudos. E o foco do ensino mudou dos curumins para os filhos de colonos. "Os filhos dos escravos também eram alfabetizados para serem convertidos", diz Ferreira Jr. 



    Outro expoente dessa ordem religiosa, o padre Antônio Vieira (1608-1697) teve uma intensa produção de sermões voltados para os negros trazidos da África para o Brasil. "O jesuíta visava inculcar na mente dos escravos a concepção cristã de mundo, buscando a sua adesão e obediência a esses valores", resumem Ferreira Jr. e Marisa.

    Questão de concurso

    Prefeitura Municipal de Teresópolis, RJ, 2011. 

    Concurso para professor de História 


    Nos três séculos de colonização portuguesa no Brasil, novas identidades culturais foram forjadas graças à atuação da Igreja Católica. A Educação, considerada como prática cultural, apresentou as seguintes características, EXCETO: 



    (A) a Educação esteve sob a tutela dos jesuítas que aplicaram um método de ensino que valorizava a gramática, a expressão culta e a memorização com vistas a inserir os colonos na cultura portuguesa; 



    (B) a ação da Igreja Católica é marcada por uma relação entre catequese e Educação, sendo que esta apresenta o objetivo de aculturar as populações indígenas; 



    (C) o código de ensino Ratio Studiorum pautou a organização do ensino dos colégios fundados e dirigidos pela Companhia de Jesus no Brasil colonial; 



    (D) Anchieta produziu poesia e teatro fundamentados no respeito à diversidade cultural indígena, o que garantiu a preservação dos mitos e práticas culturais desses povos; 



    (E) as Ordens Beneditinas e Franciscanas também participaram no processo de Educação, porém sem o apoio oficial da Coroa portuguesa e sem recursos suficientes que garantissem uma ação sistemática. 



    Resposta correta: D 



    Comentário Anchieta escreveu peças dedicadas à conversão dos indígenas com enredos baseados na contradição entre o bem e o mal. A mensagem era sempre a mesma: apenas aqueles que se convertessem ao cristianismo iriam para o céu.


    Consultoria Marisa Bittar



    Muito esforço nas aulas 


    Nos colégios do século 17, a progressão do aprendizado começava pela doutrina cristã e seguia com as aulas de Humanidades (voltadas para várias línguas) e, depois, as de Teologia, Direito Canônico, Filosofia e Retórica. Ao fim dessas etapas, os estudos poderiam ser continuados em universidades europeias. Ferreira Jr. e Marisa ressaltam, ainda, o ensino de ofícios manuais em território brasileiro. Com isso, formavam a mão de obra necessária para os engenhos e outros espaços. 



    Ao descrever os preceitos do Ratio Studiorum, Dallabrida mostra que as aulas dos jesuítas eram rigorosamente orientadas pelo documento. Os professores deveriam passar exercícios para os alunos constantemente, solicitar trabalhos escritos diariamente e corrigi-los um a um. 



    Era comum os estudantes participarem de desafios com perguntas propostas pelo educador ou por colegas. Quem demonstrava conhecimento era premiado. O docente definia o lugar de cada um na sala de aula e, diante de alguma desobediência, os castigos físicos eram usados apenas em último caso e aplicados por alguém que não pertencesse à Companhia. "As regras para o Brasil eram as mesmas que regiam a escolarização europeia. Havia rigor na observância delas, qualquer que fosse a região", alerta Paiva. 



    Com tanto esmero, os especialistas estimam que os padres converteram todos os índios do litoral que sobreviveram ao contato com os portugueses. E calculam que mais de 20 colégios foram implantados até 1759. Nesse ano, porém, o marquês de Pombal ordenou o fechamento das escolas e a expulsão dos jesuítas para implantar seu sistema educacional. Ele instaurou as aulas régias, que você vai conhecer no próximo capítulo.

    Linha do tempo

    1500 Os portugueses chegam aqui e encontram vários povos indígenas.

    1530 As capitanias hereditárias são criadas e começa o cultivo de cana-de-açúcar.

    1549 Primeiro grupo de jesuítas desembarca em solo tupiniquim.

    1599 A Companhia de Jesus promulga o Ratio Studiorum.

    1759 O marquês de Pombal expulsa os jesuítas do Brasil.

    Fonte História da Educação (Maria Lúcia de Arruda Aranha, 256 págs., Ed. Moderna, tel. 0800-7707-653, 65,90 reais)

    terça-feira, 16 de setembro de 2014

    REUNIÃO DE PAIS E MESTRES

     
    O PRINCIPAL NA VIDA…
    Conta a lenda que certa mulher pobre com uma criança no colo, passando diante de uma caverna escutou uma  voz misteriosa que lá dentro dizia: entre e apanhe tudo que você desejar, mas não se esqueça do principal. Lembre-se, porem, de uma coisa: depois que você sair a porta se fechara para sempre, portanto aproveite a oportunidade, mas não se esqueça do principal…  
     A mulher entrou na caverna e encontrou muitas riquezas. Fascinada pelo ouro e pelas jóias, pôs a criança no chão e começou a juntar, ansiosamente, tudo o que podia no seu avental. A voz misteriosa falou novamente.  
    “Você só tem oito minutos.”  
    Esgotados os oito minutos, a mulher carregada de ouro e pedras preciosas, correu para fora da caverna e a porta se fechou… Lembrou-se, então que a criança ficara lá e a porta estava fechada para sempre!!

    REUNIÃO DE PAIS E MESTRES


    Os dez mandamentos do pai do bom estudante

    Existem algumas regrinhas básicas para você que deseja ver seu filho transformado m um bom aluno, que não lhe dê problemas maiores (porque alguns, pequenos, sempre teremos!) em relação a escola e aos estudos. O pai do bom estudante:

     

    01. Vê a escola como aliada e não como oponente;

    02. Na maioria absoluta das vezes é favorável às decisões que a escola toma e as apóia porque sabe que a elegeu com cuidado para cuidar do filho, em suma, não critica sem ouvir a escola antes;

    03. Não tem pena dos filhos quando eles têm tarefas, pesquisas ou estudo para fazer;sabe que estudar assim como trabalhar, só faz bem a crianças e jovens;
    04. Supervisiona o trabalho e o estudo do filho, mas não faz as tarefas por ele, apenas orienta, olha a agenda escolar para estar a par, diariamente, das comunicações que a escola manda;

    05. Sabe diferenciar com clareza situações em que os resultados positivos na escola são fruto de esforço ou quando os negativos se relacionam à falta de dedicação dos filhos;

    06. Incentiva os filhos com palavras e gestos de afeto, estímulo e compreensão, mesmo quando não tiram notas excelentes, pois percebe quando deram o máximo de si e quando não cumpriram a parte que lhes cabe;
    07. Providencia o necessário para que os filhos superem dificuldades que eventualmente surgem na vida dos estudantes, sem, no entanto, desistir, estigmatizar os filhos ou culpar de imediato a escola;

    08. Não facilita nem permite faltas, atrasos ou “enforcamento” de aulas ou ausência nos dias letivos sem motivo absolutamente justo;

    09. Segue e faz os filhos seguirem o regulamento da escola, nunca estimulando ou desejando regras especiais para o seu filho, que reconhece como igual às demais crianças, com direitos e deveres, enfim, sem “pressionar” a escola para que ela mude seus pressupostos e aja de acordo com o que considera interesse pessoal;

    10. Não pressiona a escola ou determinado professor quando alguma coisa inesperada ocorre, porém averigua a situação real, pois uma boa escola nunca deseja errar e sabe que uma boa educação escolar é a melhor aliada da família na formação de cidadãos honestos, produtivos e bem-sucedidos.

    REUNIÃO DE PAIS E MESTRES

    Palmada Ensina?

           Os pais ainda questionam se é válido usar palmadas para ensinar uma criança a respeitar limites? Eu não tenho dúvida: as palmadas ensinam. Mas não exatamente aquilo que os pais querem.

           Uma criança que apanha aprende a ser: agressiva, pois percebe que bater no outro é uma forma de resolver uma encrenca; cínica, pois desenvolve a capacidade de não se sentir humilhada; mentirosa, pois aprende que certos comportamentos provocam dor e a mentira pode livrá-la do confronto; covarde, pois a fuga é sua única chance de vitória.

           Outra desvantagem desse método pedagógico é que ele se baseia na superioridade física dos pais - e essa é e fêmea. Como os filhos crescem a cada dia e os pais já pararam de crescer, seria preciso, para manter a mesma vantagem, a apelar para acessórios cada vez mais pesados, da mão ao chinelo, deste ao cabo de vassoura, e assim por diante.

           Além disso, a pedagogia do tapa cria subprodutos nefastos. Aí vão alguns exemplos:

    1) "Você vai ver quando seu pai chegar!" - Com esta frase a mãe envenena o vínculo entre o pai e o filho e se desmoraliza, pois revela-se dependente da força do parceiro.

    2) "Não bata no seu irmão porque ele é menor que você!" - A declaração, acompanhada de sonoros tapas no irmão agressor, é a mais descarada negação da lógica, o adulto que bate não é maior que a criança que apanha?

    3) "Isso dói mais para mim do que para você!" - Nenhuma criança tem recursos para entender o que esse adulto espera dela. Será que o adulto que que ela se sinta culpada pela dor que provoca na mãe?

    4) "Um tapa bem dado ensina mais que mil palavras..." - Ainda que se consiga definir "um tapa bem dado", nenhuma palmada ensina mais do que uma única palavra (não) dita com serenidade e convicção.

    4) "Um dia, você ainda vai agradecer por essas palmadas!" - Será que alguém acredita que se tornou melhor por levar uns tabefes? Não é preciso guardar rancor pelos tapas recebidos, mas agradecer já é demais! Ninguém , em sã consciências, acredita que palmadas ensinem os filhos a serem generosos, dignos, leais ou confiantes. E não existem valores mais importantes do que esses.

           Acontece nas melhores famílias. Dar um tabefe em um filho com o qual se tem um sólido vínculo de afeto e confiança não pecado mortal. Afinal, os pais são humanos, Às vezes a vida exige demais, nem sempre se tem o comportamento mais adequado. Esse tapa que estala sem que se saiba direito de onde veio, como se a mão ganhasse vida própria e partisse sem comando, transmite uma informação fundamental: que os pais não são perfeitos, são mortais que fazem o que podem, não o que querem.

           O importante que se reconheça que um tapa emana sempre de uma fraqueza, da impossibilidade de se controlar e de manter o diálogo. Pecado é a hipocrisia de transformar essa dificuldade em uma tese de Pedagogia

    REUNIÃO DE PAIS E MESTRES

     

    Girassóis e Miosótis

    O girassol é flor raçuda,
    que enfrenta até a mais violenta intempérie
    e acaba sobrevivendo.
    Ela quer luz e espaço e em busca desses
    objetivos, seu corpo se contorse o dia inteiro.
    O girassol aprendeu a viver com o sol
    e por isso é forte.

    Já o miosótis é plantinha linda,
    mas que exige muito mais cuidado.
    Gosta mais de estufa.
    O girassol se vira… e como se vira!
    O miosótis quando se vira, vira errado.
    Precisa de atenção redobrada.
    Há filhos girassóis e filhos miosótis.
    Os primeiros resistem a qualquer crise:
    descobrem um jeito de viver bem, sem ajuda.
    As mães chegam a reclamar da independência
    desses meninos e meninas, tal a sua capacidade
    de enfrentar problemas e sair-se bem.

    Por outro lado, há filhos e filhas miosótis,
    que sempre precisam de atenção.
    Todo cuidado é pouco diante deles.
    Reagem desmesuradamente, melindram-se,
    são mais egoístas que os demais, ou às vezes,
    mais generosos e ao mesmo tempo tímidos,
    caladões, encurralados.
    Eles estão sempre precisando de cuidados.

    O papel dos Pais é o mesmo do jardineiro
    que sabe das necessidades de cada flor,
    incentiva ou poda na hora certa.

    De qualquer modo fique atento.

    Não abandone demais os seus girassóis
    porque eles também precisam de carinho…
    e não proteja demais os seus miosótis.

    As rédeas permanecem com vocês…
    mas também a tesoura e o regador.

    Não negue, mas não deem tudo que querem:
    a falta e o excesso de cuidados matam a planta…

     * Autoria de José Fernandes de Oliveira
    ” Pe. Zezinho”
     

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